Rio de Janeiro, 22 de Setembro de 2026

Dívida pública cambial é prioridade na semana

Segunda, 21 de Junho de 2004 às 08:52, por: CdB

É grande a concentração de anúncios de índices de inflação na semana, mas o principal evento previsto não tem relação direta com o comportamento dos preços na economia e sim com a oferta de hedge cambial na virada do mês.

Na terça-feira, o Banco Central faz a pesquisa de demanda por hedge que determinará a rolagem parcial ou o resgate integral da dívida pública indexada ao câmbio que vence no dia 1o de julho.

O vencimento de US$ 2,494 bilhões denominado apenas em contratos de swaps negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) é o maior em um único dia até o final do ano.

Este vencimento também é o primeiro de uma série de três que estão agendados para os primeiros quinze dias de julho e que, combinados, correspondem a US$ 3,620 bilhões.

Na hipótese de resgate total dessa dívida, o BC estaria reduzindo em cerca de 12% o estoque de ativos públicos cambiais em mercado. Este estoque é de aproximadamente US$ 29 bilhões, mostram dados oficiais.

Mercado e BC atribuem particular importância ao resultado da pesquisa de demanda por hedge que acontece na terça - e que pode levar a um leilão de swaps na quarta - porque o posicionamento dos bancos tende a determinar a evolução da taxa de câmbio em julho.

No mês que vem, os índices de inflação seguem pressionados por ajustes de tarifas de serviços públicos, o que dispensa pressão adicional da taxa de câmbio que pode ser turbinada por deterioração de expectativas.

Elas já foram comprometidas pela derrota do governo na votação do salário mínimo no Senado e pelo temor de outra derrota - desta vez no Supremo Tribunal Federal-- no julgamento de ações que questionam a constitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária de servidores inativos.

Migração delicada

A retomada da rolagem parcial da dívida indexada ao dólar pelo BC - com a substituição de 33,2 por cento do vencimento de quase 1 bilhão de dólares que expirava no dia 17 - gerou dupla interpretação:

+ a mudança de patamar da taxa de câmbio, ocorrida em maio e consolidada em junho, teria despertado de fato maior demanda por hedge.

+ em função da alta do dólar - negociado entre R$ 2,90 e R$ 3,20 em maio e entre R$ 3,12 e R$ 3,17 em junho - o BC teria interesse em garantir o fornecimento de hedge aos bancos para evitar a migração da demanda para o mercado futuro de contratos de câmbio.

Darwin Dib, economista do Unibanco, explica que o recuo da cotação do dólar no mercado futuro também afeta a cotação da moeda negociada à vista:

- O movimento do BC pode ser entendido, portanto, como uma preocupação com o nível da taxa de câmbio.

Arbitragem

Dib acrescenta que a diferença entre a taxa de juros paga pelos ativos soberanos no exterior e os ativos negociados no mercado doméstico também pode ter influenciado a decisão do BC, uma vez que a arbitragem entre os juros pode levar à saída de recursos do Brasil.

O juro em dólar no Brasil - representado pelos contratos de cupom cambial na BM&F - tornou-se menos atraente nos últimos meses.

Bancos entendem também que ao fornecer hedge ao mercado, o BC estimula indiretamente captações externas ou a rolagem de vencimentos de dívidas privadas no mercado internacional. Para quitar dívidas, empresas e bancos acabam pressionando o dólar no mercado à vista.

O Citigroup no Brasil alerta para a concentração de vencimentos de dívida externa privada entre junho e agosto.

A instituição calcula que, neste período, a média mensal de vencimentos é de US$ 3,3 bilhões contra 1,9 bilhão de dólares na média mensal de janeiro a maio.

Leilões do Tesouro

Não há previsão de resgate de papéis públicos nos próximos dias. Mas, na semana seguinte e de transição para julho, o vencimento de LTN é de R$ 25 bilhões.

A proximidade de tamanho resgate contribui para mobilizar os bancos em do

Tags:
Edições digital e impressa