O setor público consolidado brasileiro registrou superávit primário de R$ 1,119 bilhão em maio, informou o Banco Central nesta segunda-feira. O dado exclui, pela primeira vez, o resultado fiscal da Petrobras.Em maio de 2008, também excluindo o saldo da estatal, o resultado primário havia sido superavitário em R$ 8,525 bilhões. O vencimento de juros no mês passado somou R$ 12,593 bilhões e, com isso, o país teve déficit nominal de R$ 11,474 bilhões de reais.
No ano, o superávit primário é de R$ 31,9 bilhões, menos da metade dos R$ 71,4 bilhões acumulados no mesmo período do ano passado.
"Contribuiu para essa redução o desempenho menos favorável da arrecadação em 2009, que vem refletindo os efeitos da crise financeira internacional sobre o nível de atividade, bem como a atuação anticíclica do governo federal", afirmou o BC em nota.
Em 12 meses encerrados em maio, o superávit primário, de soma R$ 66,908 bilhões, foi equivalente a 2,28% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,54% do PIB em 12 meses até abril. O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público subiu a 42,5% do PIB em maio, frente a 41,4% do PIB em abril. A exclusão do resultado da Petrobras (que foi dispensada pelo governo de contribuir para o esforço fiscal do setor público consolidado) tem o efeito de elevar a dívida pública líquida, uma vez que a estatal tradicionalmente contribuía positivamente para a redução do endividamento.
Investimento garantido
Em conversa com jornalistas, na manhã deste segunda-feira, o diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Barbassa, disse a estatal já dipõe no mercado de recursos suficientes para cobrir o plano de investimentos de US$ 174,4 bilhões, previsto para o período entre 2009 e 2013. O montante inclui a previsão de geração de caixa da empresa para os próximos anos, que varia, basicamente, segundo a cotação do barril do petróleo.
A Petrobras está em situação bastante confortável com os recursos levantados no mercado, disse Barbassa, desde que o planejamento estratégico foi lançado, no início do ano. Esse montante, explicou, ultrapassa os US$ 30 bilhões, e inclui financiamentos do BNDES e de bancos estrangeiros, além de operações no mercado financeiro.
– São suficientes para a empresa até 2013 a preços correntes. O plano é perfeitamente exequível e vai nos levar a crescimento em todos os setores – afirmou Barbassa, durante entrevista a correspondentes estrangeiros, na sede da estatal.
Mesmo que a companhia esteja com o seu caixa reforçado, existe a possibilidade de precisar de financiamento público e privado nos próximos meses, salientou o diretor financeiro.
– Mesmo com o plano de financiamento coberto, é sempre bom ter sobra de caixa. Dinheiro bom é dinheiro no caixa, até para administrar o passivo da companhia, não vamos sair do mercado – afirmou. Ele também criticou o recente rebaixamento da Petrobras feito por agências de classificação de risco.
Barbassa também afirmou que a Petrobras tem obtido êxito na busca pela redução de custos na camada pré-sal. Ele adiantou que estudos recentes da companhia indicam a necessidade de menos perfurações para a extração de óleo na nova fronteira exploratória.
– As indicações são de que são necessários perfurar 20 poços (12 de perfuração e 8 para injeção) para se produzir 120 mil barris/dia. Anteriormente, eram necessários 30 poços (20 para produção e dez para injeção) – informou, após salientar que esta redução significa uma economia de US$ 1 bilhão por plataforma.