A Polícia Federal prendeu o presidente da Vasp, Wagner Canhedo, em Brasília, na madrugada desta terça-feira. Ele permanece na Superintendência da PF, na capital federal, devido ao não cumprimento à determinação da Justiça Federal de São Paulo.
O executivo foi considerado "depositário infiel" pela Justiça, ao descumprir a determinação da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que havia penhorado em novembro passado 5% do faturamento da Vasp para pagar os débitos da empresa com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A quantia de R$ 5 milhões por mês não foi depositada desde então. Wagner Canhedo pode ficar preso, segundo decisão do juiz, por até 60 dias, mas os advogados da Vasp já estão tentando uma liminar de soltura. A empresa ainda não se manifestou.
Dívidas
Pelos cálculos da Previdência, os débitos da companhia aérea ultrapassam R$ 878,1 milhões. Segundo a Previdência, o pedido de penhora do faturamento foi feito porque todos os bens conhecidos da Vasp - entre aviões e imóveis - já foram penhorados para pagamentos de débitos mais antigos.
No ano passado, quando o TRF havia penhorado 5% de seu faturamento, a Vasp informou que recorreria da decisão. A Vasp acumulou nos primeiros nove meses de 2003 um prejuízo de R$ 28,973 milhões. No ano passado, a Vasp foi ultrapassada pela novata Gol Linhas Aéreas, caindo para o quarto lugar no ranking de transporte de passageiros no mercado doméstico.
Perfil do empresário
O empresário Wagner Canhedo Azevedo, 68, assumiu em 1990 o controle acionário da Vasp (Viação Aérea São Paulo), adquirido do governo paulista por lance mínimo (US$ 44 milhões), em leilão realizado na Bovespa.
Nascido em 20 de janeiro de 1936, na cidade de Potirendaba, na região de São José do Rio Preto (interior de SP), Canhedo começou sua vida de empresário na área de transporte rodoviário de cargas.
Com uma pequena frota de caminhões, ele transportava a madeira utilizada pelas construtoras para a construção de Brasília. Nos anos 60, virou piloto e comprou sua primeira aeronave, um Cessna 210.
Fundou a Viação Planalto, com mil ônibus, e abriu uma concessionária Scania e a Wadel, transportadora com mais de 300 caminhões-taque. Depois, fundou a Condor e Lotáxi para atuar no setor de coletivos urbanos, e a Brasília Táxi Aéreo. Casado com com Isaura Valério Azevedo, Canhedo tem quatro filhos --Wagner Filho, Ulisses, César e Rodolfo.
No ano passado, um promotor boliviano pediu a extradição de Wagner pela gestão da companhia aérea boliviana LAB entre 1994 e 2001, em um caso em que foi acusado de delitos de furto, apropriação indébita e danos econômicos avaliados em US$ 60 milhões.