Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Dívida de emirado árabe preocupa investidores e derruba as bolsas

Quinta, 26 de Novembro de 2009 às 10:35, por: CdB

Problemas com a dívida de Dubai derrubavam as ações de bancos europeus nesta quinta-feira, apesar dos esforços do emirado para minimizar o impacto dos planos de reestruturação de dívida de duas das maiores empresas da região. As ações de bancos, que subiram nos últimos seis meses em meio à expectativa de que o pior da crise econômica global já tivesse passado, caíam para as mínimas desde maio com o medo de uma exposição a Dubai.

O emirado, cujos projetos extravagantes têm ficado em compasso de espera desde o início da crise, afirmou na quarta-feira que vai pedir aos credores das empresas Dubai World e Nakheel para adiar o pagamento de bilhões de dólares em dívidas. Nesta quinta-feira, Dubai tentava devolver alguma confiança dizendo que a lucrativa DP World não será envolvida na reestruturação.

– Pode ser uma decisão para distinguir as companhias solventes das menos solventes, em uma tentativa de tirar peso das entidades com menos exposição. Isso não alivia inteiramente as preocupações do mercado, mas pode sinalizar o começo de um processo de reestruturação e recategorização – disse John Sfakianakis, economista-chefe do banco Saudi Fransi.

O anúncio de quarta-feira fez disparar o custo dos seguros de dívida de Dubai e derrubou os preços dos títulos. A estatal Dubai World tem US$ 59 bilhões em compromissos, informou em agosto sua subsidiária Nakheel . Esse montante representa grande parte da dívida total de Dubai, de US$ 80 bilhões.

– Eu não teria pressa para falar em contágio. Qualquer coisa de Abu Dhabi e Catar tem o lastro de muito dinheiro. Dubai é muito mais alavancada. Haverá algum tipo de solidariedade vinda dos emirados e do vizinho grande, Arábia Saudita – disse Youssef Affany, gestor de relações do Citi que é especialista na região.

Analistas esperam que o apoio financeiro de Abu Dhabi, vizinho que é membro dos Emirados Árabes Unidos, mantenha Dubai respirando. Mas Dubai provavelmente terá que abandonar seu modelo econômico focado em pesados investimentos no mercado imobiliário e ingressos de capital estrangeiro. O anúncio pareceu planejado para minimizar o impacto sobre os mercados regionais; ele ocorreu após o fechamento do mercado de ações e antes do longo feriado de Eid al-Ad, que fechará muitas empresas e escritórios do governo em Dubai até 6 de dezembro.

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