Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 2026

Diversificação de relações contribuiu para momento "exitoso" do Brasil, diz Lula

Segunda, 17 de Setembro de 2007 às 15:17, por: CdB

Ao participar, nesta segunda-feira, na Espanha, de reunião com empresários espanhóis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o momento “exitoso” que o Brasil vive é resultado “da seriedade, da compreensão do povo brasileiro e também do acerto de uma política de diversificação das relações do Brasil com o mundo”.

— É por isso que eu estou tranqüilo de que essa crise imobiliária americana não afetará as fronteiras do Brasil, porque nós saímos de uma fase em que tínhamos US$ 30 bilhões em reservas, dos quais quase US$ 16 bilhões do FMI [Fundo Monetário Internacional]. Hoje nós temos US$ 162 bilhões em reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos ao Clube de Paris [instituição informal integrada por países desenvolvidos], e adquirimos credibilidade até para, se quisermos, contrair novas dívidas —, disse.

Ao grupo de empresários espanhóis, o governo brasileiro apresentou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no início do ano, e destacou a importância desse projeto para ajudar o Brasil a firmar novas parcerias e se desenvolver. Lula também aproveitou a oportunidade para falar ao setor privado sobre o momento que vive a economia brasileira e convidar os empresários a ampliarem seus investimentos no Brasil.

— Viemos para cá para convidar os empresários espanhóis a serem sócios dos empresários brasileiros, para serem sócios do Brasil, ajudando na construção desse Programa de Aceleração do Crescimento —, disse.
 
Com o PAC, segundo Lula, o Brasil terá mais oportunidades para acelerar os investimentos em áreas específicas. Por meio do programa, disse, serão investidos, no país, mais US$ 259 bilhões.

— Para chegarmos a isso, eu tenho certeza de que o presidente Zapatero [o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero] acompanhou de perto os momentos brasileiros —, disse.

— Nós precisamos fazer muito sacrifício. Em momentos em que alguns achavam que o Brasil precisaria gastar, nós preferimos economizar. No momento em que alguns achavam que nós deveríamos não ser tão duros no ajuste fiscal, nós fomos duros no ajuste fiscal, porque eu tinha aprendido uma lição, ainda quando estava dentro da fábrica. Eu só poderia gastar aquilo que eu ganhava de salário, se eu gastasse mais, eu ia me endividar, e se eu não cuidasse bem da minha capacidade de endividamento, iria acontecer comigo o que aconteceu na década de 80 ou na década de 70 no Brasil, quando vivemos o período do Milagre Brasileiro e depois nos restou uma dívida quase impagável —, afirmou.

Lula também aproveitou a oportunidade para destacar a “boa” relação vivida entre Brasil e Espanha, mas afirmou que as duas nações têm potencial para fazer mais e melhor.
 
— Melhoramos muito as nossas relações comerciais. Saímos de US$ 2,5 bilhões para US$ 5 bilhões, mas é muito pouco. Para quem se conhece há tanto tempo e para quem tem o potencial de crescimento que têm Espanha e Brasil, uma balança comercial de US$ 5 bilhões ainda é muito pequena —, disse.

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