Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2026

Ditadores

Por Celso Vicenzi - Há muitas maneiras de um ditador - e seus aliados - assumir o governo de um país. Pelas armas ou pelo voto. O fato de ser eleito em um processo democrático - no caso de Bush com uma vitória até hoje questionável - não dá legitimidade a ninguém para fazer o que bem quiser no seu país ou no país dos outros. Neste sentido, Bush também é um ditador. (Leia Mais)

Terça, 22 de Abril de 2003 às 08:12, por: CdB

Há muitas maneiras de um ditador - e seus aliados - assumir o governo de um país. Pelas armas ou pelo voto. O fato de ser eleito em um processo democrático - no caso de Bush com uma vitória até hoje questionável - não dá legitimidade a ninguém para fazer o que bem quiser no seu país ou no país dos outros. Neste sentido, Bush também é um ditador. É ditador porque não respeita o Tratado de Kyoto, não respeita a Convenção de Genebra (bombardeou a TV Iraquiana, abriu fogo contra indefesos civis e mantém os prisioneiros do Afeganistão à margem das leis internacionais). É ditador porque faz uma guerra sem ter sido atacado por um país, sem autorização da ONU, sem uma única prova, até o momento, de que o governo de Bagdá tenha armas de destruição em massa ou ligação com o grupo Al-Qaeda. Há outras ditaduras no mundo, mas sem tanto petróleo e água, e uma posição geográfica estratégica, é claro! Algumas ditaduras, aliás, tiveram e têm ótimas relações com os Estados Unidos. Bush defende que os Estados Unidos podem fazer o que bem quiserem, em qualquer lugar do mundo, se os "interesses norte-americanos" - leia-se, principalmente, "econômicos" - estiveram ameaçados. Os Estados Unidos, que se acham a mais perfeita democracia do planeta, sempre apoiaram ditaduras, com armas e dinheiro, em todo o planeta. Inclusive a de Saddam. Seus agentes militares treinaram torturadores até mesmo no Brasil. Se um governo/país assim pode ser chamado de democrata, é preciso reescrever, com urgência, o conceito de democracia. Além de ditador, Bush é fundamentalista, porque divide o mundo entre bons e maus (ele do lado bom, é claro!) e fala mais em nome de Deus do que o Papa. Mas, em nome de Deus, da liberdade e da democracia, os Estados Unidos despejaram bombas em vários países. A partir de 1945/46: China, Coréia, Guatemala, Indonésia, Cuba, Congo, Peru, Laos, Vietnã, Camboja, Guatemala, Granada, Líbia, El Salvador, Nicarágua, Panamá, Iraque, Sudão, Afeganistão e Iugoslávia. As vantagens políticas e econômicas que os norte-americanos não conseguem por vias legais, sempre obtiveram pela potência de seus canhões. Bush e os Estados Unidos são hoje a maior ameaça à paz mundial. Celso Vicenzi é jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas/SC

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