A tensão entre as duas Coreias diminuiu, nesta terça-feira, após o regime comunista do Norte liberar a passagem de trabalhadores pela sua fronteira com o Sul. O acesso foi bloqueado na véspera, quando o governo de Pyongyang ameaçou invadir o lado capitalista da península. Porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano, Kim Ho-nyoun disse a jornalistas internacionais que as Coreias fecharam acordo na manhã de terça para reativar a passagem — que dá acesso ao complexo industrial da cidade norte-coreana de Kaesong, onde empresas sul-coreanas empregam trabalhadores.
Os trabalhadores da Coreia do Sul que atuam na área norte-coreana do Monte Kumgan também voltaram a ingressar em seus postos de trabalho. A Coreia do Norte havia anunciado na segunda a suspensão do único canal de comunicação aberto com os vizinhos do Sul, coincidindo com o início das manobras militares conjuntas entre Coreia do Sul e Estados Unidos. As manobras são consideradas pelo governo comunista uma ameaça de possível invasão a seu território.
A suspensão do acesso impediu a entrada de cerca de 700 funcionários e de materiais da Coreia do Sul no complexo industrial. Apesar de ter reaberto a fronteira, a Coreia do Norte manterá a suspensão da rede militar de comunicação com o país vizinho enquanto as manobras conjuntas continuarem — possivelmente até o dia 20 de março. Na segunda-feira, o governo norte-coreano colocou 1,2 milhão de militares em estado de alerta. A república comunista considera as manobras militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul uma possibilidade iminente de invasão. A Coreia do Norte ainda ameaçou com guerra o vizinho sulista caso o satélite que pretende lançar seja interceptado. Segundo o governo norte-coreano, o satélite tem fins de comunicações, mas Estados Unidos e Coreia do Sul temem que o disparo envolva um novo teste de míssil de longo alcance.