O Japão tentou nesta sexta-feira se reaproximar da Coréia do Sul. As relações entre os dois países se deterioraram por causa de uma disputa por pequenas ilhas reivindicadas por ambos, e pela percepção sul-coreana de que o Japão não admitiu totalmente as agressões militares do passado.
A Coréia do Sul ficou irritada esta semana, quando uma assembléia local japonesa aprovou uma lei de significado simbólico reforçando a reivindicação do Japão sobre duas ilhotas isoladas que estão em posse da Coréia do Sul, conhecidas como Takeshima no Japão e Tokto na Coréia do Sul.
A medida da prefeitura de Shimane declarava 22 de fevereiro como o "Dia de Takeshima".
Os sul-coreanos foram às ruas em protesto, queimaram bandeiras japonesas e até deceparam seus próprios dedos.
Nesta quinta-feira, o presidente do Conselho de Segurança Nacional da Coréia do Sul, Chung Dong-young, disse que Seul considerava qualquer medida para retomar as ilhas como uma tentativa de justificar o brutal domínio japonês sobre a península coreana, entre 1910 e 1945.
O ministro da Educação japonês, Nariaki Nakayama, disse a repórteres que esperava que a disputa não causasse um retrocesso nos avanços na aproximação entre os dois países obtidos desde que ambos sediaram em conjunto a Copa do Mundo de 2002.
- O povo japonês tem um sentimento de proximidade em relação à cultura e ao povo sul-coreanos. Gostaria que o povo sul-coreano compreendesse isso. É minha esperança que isso não jogue água fria no aprofundamento das relações amistosas - disse Nakayama.
Num sinal de preocupação com o incidente diplomático, o ministro das Relações Exteriores do Japão, Nobutaka Machimura, divulgou um comunicado na noite desta quinta-feira reiterando o reconhecimento por parte do Japão da dor infligida aos vizinhos da Ásia no passado.
- Para construir relações de confiança com os vizinhos, nosso país precisa aceitar com humildade o fato histórico de que o Japão infligiu prejuízos e dor às pessoas dos países asiáticos, e compreender com profundidade e solidariedade os sentimentos do povo sul-coreano - dizia o texto.
Os protestos antijaponeses continuaram pelo terceiro dia seguido na Coréia do Sul, e grupos pediram o boicote de produtos japoneses, num momento em que algumas das principais indústrias japonesas, como a Toyota e a Honda, se esforçam para entrar num dos maiores mercados do mundo.
Um sul-coreano de cerca de 50 anos de idade ateou fogo ao próprio corpo diante da embaixada japonesa em Seul, mas o incêndio foi rapidamente controlado e ele foi socorrido por paramédicos. Não corre risco de vida.
- Seria bom que os sul-coreanos separassem a questão do relacionamento econômico - disse o ministro do Comércio do Japão, Shoichi Nakagawa.
O ministro das Finanças sul-coreano, Han Duck-soo, disse em Seul que não acredita que a disputa pelas ilhas afete as negociações para o acordo de livre comércio entre os dois países, e o assessor presidencial Chong Woo-seong afirmou que Seul tentará manter o problema distante das relações diplomáticas, sociais e econômicas.
No passado, muitos líderes japoneses pediram desculpas pelas agressões militares históricas, mas políticos conservadores costumam negar atrocidades ou minimizar o sofrimento.
- Uma série de atitudes recentes do Japão faz com que duvidemos se o Japão está falando sério quando trata da cooperação entre os dois países - disse o ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Ban Ki-moon.
Para analistas, o Japão subestimou o grau de ressentimento sul-coreano pela dominação do passado. As ilhas em disputa são inabitadas, exceto por uma guarnição militar coreana. Elas são disputadas desde a Segunda Guerra Mundial.