Um grupo de três bancos liderados pelo Royal Bank of Scotland fez uma proposta de 72 bilhões de euros (US$ 98 bilhões) pelo rival holandês ABN Amro, ameaçando um acordo anterior já acertado pela instituição com o britânico Barclays. O grupo chefiado pelo RBS, que é formado também pelo espanhol Santander e pelo banco belga-holandês Fortis, informou na quarta-feira que planeja oferecer 39 euros por ação do ABN Amro. A proposta é formada por uma parcela de 70% em dinheiro e os 30% restantes em ações do RBS.
Essa composição supera o acerto - todo em ações - anunciado pelo Barclays na segunda-feira e avaliado em 64,3 bilhões de euros, ou 34,5 euros por ação, segundo preços atuais, e pode disparar a maior batalha de aquisição de um banco da história. Mas o consórcio informou que uma precondição de sua oferta é a desistência pelo ABN da venda da unidade norte-americana LaSalle para o Bank of America por US$ 21 bilhões.
O LaSalle é um importante ativo para o RBS, que já tem a maior presença de um banco estrangeiro nos Estados Unidos. A rápida venda do LaSalle para o Bank of America, anunciada na segunda-feira após apenas quatro dias de análises e com multa de 200 milhões dólares em caso de quebra do acordo, foi uma medida considerada pelo mercado como um esforço do ABN e do Barclays para afastar rivais. O Bank of America, por sua vez, divulgou nesta manhã um comunicado reforçando que tem um contrato legal para a aquisição do Lasalle e espera que ele seja plenamente cumprido sob as atuais condições.
Um eventual sucesso da proposta do RBS resultará em uma total divisão do ABN, uma opção que a administração da instituição holandesa, que opera também no Brasil, tem preferido evitar.
Encontro de acionistas
A aproximação recente do RBS ocorre às vésperas de um encontro chave entre os acionistas do ABN, quando deve ser votada a proposta de separação feita pelo fundo de hedge TCI, e no dia da reunião anual do banco escocês. Em uma demonstração de unidade, os presidentes do RBS, do Santander e do Fortis falaram juntos em Edimburgo, dizendo que não pretendem fazer uma contraproposta hostil pelo banco holandês.
- É nossa preferência, e continua sendo nossa preferência, tentar e encontrar uma forma construtiva e em acordo para tudo isso. Esperamos que possamos conseguir isso com o ABN - disse o presidente do RBS, Fred Goodwin, a repórteres.
Ele disse que o consórcio está confiante do apoio de seus próprios acionistas, e os três bancos devem ir adiante com uma oferta sólida. O RBS disse que vai "agir prudentemente mas com grande determinação". Em um comunicado reconhecendo a proposta do RBS, o ABN disse que está aberto para discussões e convidou o trio de interessados para uma reunião em Amsterdã nesta quarta-feira.
Fontes próximas ao assunto disseram que o ABN, pressionado por acionistas a encontrar o grupo, pode pedir mais informações, como sobre o financiamento, antes de autorizá-los a terem acesso a informações que permitam uma análise mais detalhada do banco. O financiamento do acordo pode envolver uma grande emissão de ações do Fortis e do Santander para atingir o valor proposto em dinheiro.
O RBS não é um novato em negócios complexos, tendo comprado o NatWest, quase duas vezes seu tamanho, em 2000, mas adquirir o ABN também envolveria uma partilha complexa para o consórcio. Sob o plano de aquisição, o Santander ficaria com as unidades brasileira e italiana do ABN, enquanto o RBS assumiria o banco de atacado, o LaSalle e os ativos asiáticos. O Fortis, por sua vez, ficaria com a parte holandesa do ABN.