Os reflexos de uma disputa eleitoral prometem colocar no mapa da política brasileira o pequeno município de Laje do Muriaé e os seus 7.909 mil habitantes, situado entre os morros do distante noroeste do Estado do Rio de Janeiro, na divisa com Minas Gerais. Exonerado por um ato do secretário estadual de Educação, Cláudio Mendonça, o professor Robson Terra, diretor eleito para a direção do Colégio Estadual Ary Parreira, construído há 71 anos e um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino da região, levou um grupo de pais e alunos a promover, desde a noite desta quarta-feira, manifestações contra a decisão do Governo do Estado.
Uma guarnição da Polícia Militar foi acionada pela nova diretora, Leide Maria Zacharias de Freitas, no dia seguinte, para ocupar a escola e, segundo alunos do 3º Ano do Ensino Médio, impedir que eles permanecessem no Colégio. Nesta sexta-feira, o educandário amanheceu fechado e os manifestantes foram em passeata pelo centro da cidade até a casa de Terra, onde realizaram um ato de desagravo ao diretor exonerado.
O resultado da demissão deste servidor estadual, porém, não ficou restrito aos 250 quilômetros quadrados de Laje do Muriaé. Ainda na noite de quinta-feira, o representante do Ministério da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Remec-RJ), William Campos, após tomar conhecimento dos fatos, iniciou uma série de contatos para reverter o quadro de tensão na cidade. Por telefone, com o senador Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ), Campos disse que considera "inadmissível um ato de perseguição política deste calibre".
- O professor Robson Terra foi exonerado pelo secretário Cláudio Mendonça, por ordem do ex-governador Garotinho, a pedido do prefeito de Laje do Muriaé, José Geraldo Pereira Carvalho, que venceu as últimas eleições após uma campanha selvagem contra o candidato adversário, cuja campanha foi coordenada pelo diretor do Ary Parreira. Mas para nós, no Ministério da Educação, o resultado de uma eleição não pode ser motivo para perseguições política em nenhum nível, principalmente da forma escancarada como aconteceu naquele município - disse o representante do MEC.
Ainda segundo o professor William Campos, o senador Sérgio Cabral prometera, por telefone, procurar o secretário Cláudio Mendonça e buscar uma solução "pacífica para o caso". Campos acrescentou que este episódio poderá "abalar as boas relações que o MEC vem mantendo com a secretaria estadual de Educação do Estado do Rio", caso não seja respeitada a decisão do eleitorado que, ano passado, elegeu Robson Terra para a direção do Colégio Ary Parreira.
- Não houve nenhuma razão administrativa capaz de causar a demissão de um diretor eleito pela comunidade. O próprio secretário Cláudio Mendonça esteve com o diretor Robson Terra, na segunda-feira, durante uma solenidade em que, juntos, conversaram sobre várias melhorias propostas para a escola. A demissão aconteceu após uma conversa com o prefeito, que já havia encaminhado o pedido de exoneração ao ex-governador Garotinho - lembrou William.
Embora o senador tenha prometido, segundo o representante do MEC no Estado do Rio, que iria buscar a reintegração do diretor exonerado, ao Correio do Brasil Sérgio Cabral disse que não iria intervir no caso.
- Senador não intervém na questão de pessoal, nem para nomear, nem para demitir - afirmou o senador Cabral.
Questão política
Robson Terra confirma que seu relacionamento com a secretaria estadual de Educação era estável e não havia nenhum impedimento que o obrigasse a deixar o cargo.
- Estive com o secretário e conversamos normalmente. Não havia nenhum traço de animosidade ou algum fato relevante que o levasse a tomar tal decisão. Fui vítima de uma arbitrariedade, de uma disputa eleitoral que continua em curso no município. Trata-se de uma retaliação por eu ter coordenado a campanha adversária, mas esquecem-se de que tenho um mandato popular, no momento em que recebi