Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Disputa pela <i>Embratel</i> começa nesta quinta

Quinta, 11 de Dezembro de 2003 às 07:42, por: CdB

O executivo Larry Grafstein, do banco Lazard Frères & Co, recebe nesta quinta-feira, até o meio-dia (horário de Nova York), as propostas iniciais dos interessados na compra da Embratel. O Lazard é o banco contratado pela MCI (ex-WorldCom) para coordenar o processo.   


Segundo o Valor apurou, deverão apresentar ofertas as empresas de telefonia fixa Telefônica, Telemar e Brasil Telecom (BrT), o fundo de pensão Telos (em conjunto com altos funcionários da Embratel), a mexicana Telmex e um grupo local que conta com o suporte de fundos de investimento estrangeiros.

 Embora com menos apetite, a Telecom Itália, que tentou comprar as operações latino-americanas da AT & T, também analisou os dados da Embratel na fase preliminar.

A oferta desta quinta não é uma proposta final de preço, mas apenas o início do processo. Na " non bidding offer " , segundo instruções do Lazard, deverão constar o preço de compra, o tratamento que deverá ser dado aos acionistas minoritários (que poderá ser usado como um critério de desempate entre os concorrentes), fontes de financiamento da transação e o prazo de liberação dos recursos, as exigências para o " due dilligence " (verificação de números da empresa), capacidade de obter aprovação dos órgãos reguladores para consumar a transação e o prazo estimado para obtê-la.

A capacidade para obter autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a operação vem preocupando especialmente as operadoras locais. No ano passado, uma proposta capitaneada pela BrT de unir as três operadoras em um fundo de investimento para comprar a Embratel não foi bem-recebida pela agência reguladora.

A Telefônica, segundo o Valor apurou, tem agora interesse em fazer uma oferta isolada, mas receia que não consiga a autorização da Anatel. Apesar das interpretações de que a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) não permitiria que a Telefônica comprasse a Embratel, a espanhola avalia que isso seria possível, desde que ela devolvesse sua licença para operação de longa distância. A Telefônica não quis se manifestar, assim como Telemar e BrT.

Telemar e BrT têm interpretações semelhantes. Ontem, um executivo desmentiu os rumores de que a Telemar poderia se unir à Telmex na negociação da Embratel. Segundo ele, o acordo da empresa com o grupo mexicano está limitado à telefonia celular, na América Móvil.

Só a partir das propostas de hoje é que os grupos terão acesso ao " data room " , em que informações confidenciais da companhia são apresentadas aos interessados. Até o fim do processo, poderá ocorrer todo tipo de associação entre os concorrentes. Uma fonte que participa do processo lembra que o fundo de pensão Telos poderá ser um aglutinador dos interessados.

- Como há uma orientação do governo atual de incentivar investimentos dos fundos de pensão no setor produtivo, o Telos pode ter uma vantagem competitiva e, com isso, atrair outros grupos, como a TIM ou até mesmo a Telemar, único grupo de capital totalmente nacional- explica a fonte.

Ela critica, porém, o que considera um conflito de interesses, pelo fato de a alta gerência da Embratel continuar à frente da gestão da empresa enquanto participa do processo de aquisição da operadora. A fonte também lembra que, contra a Telos, conta o fato de o fundo de pensão não ter ganhos de sinergia com a aquisição da Embratel.

 Operadoras de telecomunicações deverão incluir na sua avaliação da operadora esses ganhos, com chances de apresentar uma oferta melhor.

Rodrigo Fonseca, da Arx Capital, diz que, a partir de um valor de R$ 14 por mil ações ON da Embratel, a empresa estaria avaliada em R$ 2 bilhões.

Os interessados na Embratel dizem que, além das sinergias, que têm valores diferentes para cada concorrente, terá um peso importante na avaliação da Embratel a questão da autuação aplicada pela Receita Federal à empresa cerca de dois anos atrás, superior a

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