Embora o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), prometa isenção na condução dos processos contra os 16 deputados denunciados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, boa parte deles aposta na protelação das investigações, atrasando a decisão final sobre cassação ou não dos mandatos. Para a oposição, um dos pontos que está beneficiando os parlamentares suspeitos é a briga entre o Conselho de Ética e a Corregedoria da Câmara, duas instâncias diferentes de apuração.
O presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), insiste em que o relator da comissão de sindicância criada pela Corregedoria, Robson Tuma (PFL-SP), analise cada caso em separado, proponha o arquivamento dos processos que não tiverem provas e encaminhe só os casos mais graves.
Tuma está preparando um único relatório, com um capítulo para cada deputado. O parlamentar paulista argumenta que relatórios individuais demorariam muito tempo para ser concluídos.
- A intenção é fazer um relatório único porque a comissão de sindicância é única - justifica Tuma.
A posição de Izar não é consenso no Conselho de Ética. Ontem, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo que já tramita no Conselho contra o petista José Dirceu (SP), disse temer que os relatórios individuais atrasem muito o andamento dos trabalhos.
- Acho que pode haver um relatório só para todos ou relatórios individuais. Mas, se forem individuais, têm de ser remetidos ao mesmo tempo. Não pode ser remetido um relatório a cada mês, porque, se isso acontecer, a sangria vai se estender, o que é muito ruim para a Câmara -opinou Delgado.
Ele gostaria que até o fim de novembro as investigações estivessem encerradas: "Respeito a posição do Izar, mas ela é pessoal, não foi discutida nem deliberada."
Cautela
Em tese, a solução para o impasse entre Corregedoria e Conselho cabe à Mesa Diretora, onde cinco dos sete integrantes são de partidos da base do governo, vitorioso com a eleição de Aldo Rebelo e ansioso pelo término da crise política.
- A divergência é protelatória - alardeia o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), integrante da CPI dos Correios.
Os oposicionistas são cautelosos quando indagados se acreditam que Aldo atuará em defesa de alguns dos investigados.
- Aldo Rebelo tem biografia íntegra e estatura moral, não poderá em nenhum momento colaborar com os envolvidos em corrupção. Se fizer o jogo dos cassáveis, perde a autoridade moral e acho que não vai fazer isso - opina ACM Neto.
No entanto, o pefelista faz um alerta: "Os denunciados estavam reclusos e hoje estão transitando serelepes pelos corredores do Congresso. É um sintoma de que ganharam força."
- Não espero que o presidente Aldo pratique nenhum tipo de proteção, mas, a julgar pela comemoração da vitória dele na eleição para presidência da Câmara, acredito que os denunciados têm expectativa de serem beneficiados. Mas acredito que eles ficarão apenas na expectativa - reforça o líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA).