Na queda de braço entre o governo e os usineiros de cana, é o preço dos combustíveis que vai acertar as contas. Passa a valer, já a partir desta quarta-feira, a redução de 5% no volume de álcool anidro misturado à gasolina, que cai de 25% para 20%, informou o Ministério da Agricultura. A decisão de reduzir a mistura foi tomada depois de uma alta gradativa nos preços do álcool.
O aumento do álcool teve influência direta no preço da gasolina. Entre correr o risco de ver o preço, nas bombas, subir em média 1% por semana, a decisão de alterar a proporção da mistura foi tomada com base nos cálculos do Ministério das Minas e Energia, que prevê um impacto imediato nos preços dos combustíveis em até 2%. Segundo o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, a medida tende a estabilizar o mercado.
- Não teremos um aumento no preço da gasolina. A diferença é que vai aumentar é o grau de mistura, com um reflexo na proporção direta de 25% para 20%. Mas, para alguns Estados, devido à tributação do ICMS, o aumento será de algo em torno de 1% a 2% - calcula.
O governo havia fechado acordo no mês passado com os usineiros para que o preço do produto não ultrapassasse R$ 1,05 nas usinas. Em troca deste acordo, o governo prometeu aos representantes do setor sucroalcooleiro estudar um programa de estocagem do produto com o objetivo de diminuir as oscilações no preço do álcool nos períodos de safra, quando o preço tende a cair, e entressafra, quando geralmente há um aumento no preço do produto.
Os representantes do setor alegam que a alta do preço do álcool deve-se à entressafra e ao aumento da demanda com a entrada dos carros bicombustíveis no país.
Para implementar a redução do percentual de álcool anidro na gasolina, o Ministério da Agricultura está preparando uma resolução do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), que deverá ser publicada no Diário Oficial da União ainda nesta semana.
A medida vai reduzir em 100 milhões de litros por mês a demanda de álcool anidro no mercado nacional. Atualmente, o Brasil destina 500 milhões de litros/mês desse produto para adicionar à gasolina tipo C. A resolução, que deverá ser publicada em breve, passará a valer imediatamente e não terá prazo para ficar em vigor, conforme informou o Ministério.