Rio de Janeiro, 31 de Agosto de 2026

Disparos pesados são ouvidos em cidade síria que teve protestos

Domingo, 15 de Maio de 2011 às 07:10, por: CdB

Disparos pesados são ouvidos em cidade síria que teve protestos

Por Khaled Yacoub Oweis

AMÃ (Reuters) - Sons de fogo pesado foram ouvidos no domingo na cidade de fronteira síria de Tel Kelakh, disseram moradores, e autoridades no vizinho Líbano intensificaram a segurança depois de centenas de pessoas terem fugido de tropas sírias enviadas para esmagar protestos.

Situada a poucos quilômetros da fronteira norte do Líbano, a cidade é o foco mais recente da repressão intensificada de tropas e tanques sírios enviados para sufocar manifestações contra o governo do presidente Bashar el-Assad.

Centenas de pessoas atravessaram a fronteira em fuga no sábado, quando, segundo ativistas, três moradores de Tel Kelakh foram mortos por disparos. Um funcionário de segurança libanês disse no domingo que as patrulhas da fronteira foram intensificadas "para impedir a entrada de ilegais".

Assad vem tentando um misto de reformas e repressão para sufocar os protestos contra seu governo autocrático que começaram há dois meses na cidade de Deraa, no sul do país, inspirados pelos levantes em várias partes do mundo árabe.

Os Estados Unidos e a União Europeia condenaram a repressão movida por Assad, na qual, segundo grupos de defesa dos direitos humanos, cerca de 700 pessoas já foram mortas pelas forças de segurança, e impuseram sanções pontuais contra funcionários do governo sírio.

Assad revogou o estado de emergência que vigorou por 48 anos, mas também enviou o exército para os centros dos protestos. Após mais de oito semanas de turbulência, nenhum dos lados emergiu com uma vitória clara, e na sexta-feira o governo prometeu iniciar discussões.

"As autoridades dizem que querem um diálogo nacional e o conduzem com tanques", disse à televisão Al Jazeera uma mulher que fugiu para o lado libanês, atravessando a fronteira porosa entre os dois países.

Autoridades dizem que o exército foi enviado para combater "grupos terroristas armados" apoiados por islâmicos e potências externas que seriam responsáveis pela maior parte da violência, na qual já morreram 120 soldados e policiais.

Tropas apoiadas por veículos blindados foram dispostas em cidades e vilarejos espalhadas pela planície de Hauran, no sul do país, a província central de Homs e áreas da costa. A segurança também foi intensificada em Damasco e nos subúrbios da cidade.

Desde que chegou ao poder com a morte de seu pai, em 2000, Assad vem reforçando a aliança da Síria com o Irã e continua a apoiar os grupos militantes Hamas e Hezbollah, ao mesmo tempo em que conduz negociações indiretas de paz com Israel e mantém a calma nas Colinas de Golã.

PROJÉTEIS DE TANQUES

Um morador de Tel Kelakh, Mohammad al-Dandashi, disse em telefonema que contou o som de 85 disparos de tanques feitos desde o sábado. "A impressão é que os disparos são aleatórios e não alvejam um bairro específico", disse ele, enquanto o som de disparos pesados era ouvidos ao fundo.

"Estão nos punindo por nos manifestarmos contra o regime", afirmou, acrescentando que quase 20 soldados podiam ser vistos sobre o telhado de um hospital.

Centenas de pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, fugiram para o Líbano.

Diplomatas e ativistas dizem que 7 mil pessoas foram detidas desde que os protestos começaram. Autoridades afirmam que milhares de pessoas se entregaram e foram soltas sob os termos de uma anistia que chegou ao fim no domingo.

O líder oposicionista Riad Seif, detido no início deste mês, teria sido libertado no domingo, conforme o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Mas milhares de prisioneiros políticos ainda estariam nas prisões.

Em seu primeiro comunicado desde que os protestos começaram, 12 partidos curdos disseram que as autoridades precisam parar de usar de violência contra manifestantes pacíficos.

Reuters

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