Rio de Janeiro, 10 de Maio de 2026

Disney inaugura parque na China sob polêmica

A Disney abriu seu primeiro parque temático na China em meio a fortes denúncias de grupos ambientalistas e de direitos humanos que acusam a empresa de ter piorado a vida da região para que seu "reino mágico" seja perfeito. (Leia Mais)

Terça, 13 de Setembro de 2005 às 04:42, por: CdB

A Disney abriu, na segunda-feira, seu primeiro parque temático na China em meio a fortes denúncias de grupos ambientalistas e de direitos humanos que acusam a empresa de ter piorado a vida da região para que seu "reino mágico" seja perfeito.

A cerimônia foi presidida pelo vice-presidente chinês, Zeng Qinghong, que, em uma piscada ao capitalismo, deixou ser fotografado ao lado do chefe executivo de Hong Kong, Donald Tsang, diretores da Walt Disney, e os personagens Mickey, Minnie, Pluto e Pateta, entre outros.

Com um nevoeiro esbranquiçado encobrindo Hong Kong, a cerimônia de inauguração começou com o tradicional baile do leão, que afugenta os maus espíritos e traz boa sorte, quando o grupo de animais vermelhos e dourados saiu do castelo da Bela Adormecida.

Mais de 10 mil convidados e 16 mil visitantes assistiram à cerimônia, que começou às 13h (2h em Brasília). A maioria dos presentes procedia da China.

O dia da inauguração foi escolhido há meses por especialistas na arte chinesa do feng shui, que o reconheceram como o mais propício para sua abertura.

O Governo de Hong Kong, proprietário de 51% das ações do parque, colocou o tapete vermelho para a Disney durante anos para que o parque, o terceiro da companhia fora dos EUA, seja rentável.

Após construir uma estação de metrô, cópia do Museu d'Orsay de Paris, a que chegam vagões cujas janelas são silhuetas do Mickey Mouse, o Governo criou uma passagem de imigração para que os turistas chineses possam chegar sem problemas ao parque.

Dividido em três grandes áreas, o parque oferece uma viagem de sonho pelo mundo da Disney, em que não faltam expedições à selva junto a Tarzan, montanhas-russas espaciais ao lado dos personagens de Toy Story e espetáculos musicais ao vivo que causariam inveja à Broadway.

Os mais sortudos desfrutarão da Main Street, uma réplica de uma cidade americana do início do século XIX, onde o Pluto e a Margarida disputam o carinho dos visitantes com o fascinante soldado espacial Buzz Lightyear e a princesa chinesa Mulan.

Entre outras atrações, o parque conta com dois hotéis de luxo, um trem e um castelo de 24 metros de altura, cópia do que está localizado no parque de Anaheim, nos Estados Unidos.

A implantação do parque, nos últimos meses, foi alvo de duras críticas feitas pelas organizações não-governamentais. Por causa das fortes pressões de grupos como o Greenpeace, os criadores de <i>Procurando Nemo</i> foram obrigados a retirar de seu cardápio a sopa de tubarão.

Além disso, as organizações acusam a Disney de ter danificado seriamente o ecossistema da ilha de Lantau, onde o parque está localizado.

As ONGs denunciam que a empresa obrigou fábricas da província sulina de Cantão a empregar trabalhadores durante 15 e 16 horas diárias sem descanso para terminar seus produtos antes da implementação do complexo.

O parque da Disney em Hong Kong será mais barato que o resto das instalações com que conta a companhia americana, com preços em torno de US$ 45 para o fim de semana, US$ 10 a menos que no da Flórida.

Segundo as previsões da Disney, o novo parque receberá 5,6 milhões de visitantes no primeiro ano de funcionamento, 35% deles provenientes da China, onde a cada vez maior classe média pode se permitir estes luxos.

De acordo com a secretaria de Finanças de Hong Kong, este projeto significará uma receita de US$ 19 bilhões para a economia da cidade durante seus primeiros 40 anos de operações.

A empresa quer atrair ao parque da Disney todos os turistas asiáticos que não podem viajar até o do Japão, e inclusive está sendo analisada a abertura de um segundo parque em Xangai, dentro de alguns anos.

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