Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 2026

Discursos sobre ações do governo em relação às denúncias de corrupção dominam agenda no Senado

Segunda, 15 de Agosto de 2011 às 15:33, por: CdB

Mariana Jungmann
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Os discursos em apoio à “faxina” que a presidenta Dilma Rousseff promoveu em alguns ministérios, demitindo funcionários e ministros acusados de corrupção, receberam críticas dos líderes de governistas e da oposição. O movimento de apoio às ações moralizadoras da presidenta foi organizado pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) e contou com uma dezena de senadores da base aliada, independentes e até da oposição.

Para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), apoiar a presidenta e não assinar um requerimento de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a corrupção é uma incoerência. “O termômetro que eu tenho para medir as aspirações populares é diferente do dos meus colegas, que aplaudem a presidenta, mas não assinam a CPI”, disse. Para ele, as ações do governo para afastar os acusados foram tomadas “à reboque” da imprensa e da Polícia Federal, e, por isso, não merecem aplausos.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), agradeceu o apoio oferecido à presidenta Dilma, mas rechaçou as defesas feitas pelos senadores de que seja necessário criar uma CPI para investigar as denúncias. “É claro que cada um tem o seu posicionamento, mas, como líder do governo, defendo a posição que é do governo, ou seja, a de investigar profundamente e de modo transparente, mas, efetivamente, sem a necessidade de uma CPI, pelas providências que o governo está tomando”, declarou Jucá.

A necessidade de uma comissão de inquérito no Congresso foi levantada pela maior parte dos senadores que subiram à tribuna – e outros que usaram de apartes aos discursos – para defender a presidenta Dilma e as medida moralizadoras que ela vem adotando nos ministérios. É o caso do senador Pedro Taques (PDT-MT), que tem assinado todos os últimos pedidos de CPI. “A CPI é um instrumento da democracia. No entanto, muitas vezes – e isso nos últimos dezesseis anos –, transformaram um instituto importante, num estado que deve ser transparente, em uma fábrica de pizza, com todo respeito à expressão. Esvaziaram um pouco o instituto. Muito bem! Assinei a CPI e tenho certeza que a presidenta não teme a CPI”, disse.

Assim como Taques, a senadora Ana Amélia (PP-RS) também usou a defesa de Dilma para reafirmar a necessidade de uma comissão para investigar as denúncias de corrupção. Depois de dizer à presidenta que “continue a faxina, a dedetização ou limpeza”, a senadora voltou a declarar que assinará todos os pedidos de CPI que julgar necessários. “Presidenta Dilma, não tema a CPI, a CPI faz parte deste processo e é uma prerrogativa do Congresso Nacional. Assinei a CPI para investigar as denúncias envolvendo o ex-ministro [da Casa Civil] Antonio Palocci. Assinei e fui uma das primeiras signatárias da CPI dos Transportes e assinarei tantas quantas forem necessárias para fazer essa investigação”, declarou a senadora gaúcha.

A criação de uma comissão de inquérito, contudo, não foi a única reivindicação dos apoiadores da presidenta esta tarde. Alguns oradores que fizeram parte do movimento convocado pelo senador Pedro Simon, usaram a tribuna para defender a Polícia Federal (PF).

O próprio Simon ressaltou que o governo deve apoiar a PF e usar determinações claras sobre o uso de algemas para evitar o desvirtuamento de operações como a Voucher, que prendeu 38 pessoas sob acusações de desvios de verbas do Ministério do Turismo. “O governo tem que apoiar a Polícia Federal e tem que ter um entendimento do Ministério da Justiça com a PF para ver a forma da polícia agir. Todo mundo está querendo criar condições para dizer que há exagero. Então, eu acho que se o governo puder evitar, deve evitar [o uso de algemas]”, disse Simon.

Após ler nota da Associação dos Delegados da Polícia Federal, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) defendeu a operação e disse que os acusados tentam desviar o foco das investigações para fatos paralelos como a discussão sobre o uso de algemas. “Ela [presidenta Dilma] terá o meu apoio se for para tomar medidas de fortalecimento da Polícia Federal, de fortalecimento de investigações, de combate sistemático a esse câncer da vida nacional que é a corrupção”, declarou.

Mas, as seis horas de discursos favoráveis à presidenta da República, no Senado, não foram suficientes para tranquilizar o governo, que vem enfrentando problemas com as votações na Câmara dos Deputados. Dilma Rousseff convocou os parlamentares do PT e do PMDB para uma reunião esta noite, no Palácio do Planalto. O objetivo é formular uma estratégia de aproximação com a base aliada para atender os pedidos do Congresso de maior participação no governo.

 

Edição: Aécio Amado

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