Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Discurso de Dilma na ONU indica continuidade do governo na política externa, diz professor da Universidade de Brasília

Quarta, 21 de Setembro de 2011 às 15:02, por: CdB

Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A defesa da criação do Estado palestino e a cobrança de uma solução coordenada para a crise econômica global, manifestações apresentadas hoje (21) pela presidenta Dilma Rousseff no discurso da 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), indicam que a política externa brasileira definiu prioridades. A avaliação é do professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Jorge Ramalho.

Para o acadêmico, as linhas gerais do discurso representam continuidade em relação à política externa exercida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele, no entanto, diz ser possível notar o aprofundamento de certos aspectos, que sugerem maior foco nos debates diplomáticos em que o Brasil se envolverá daqui para a frente.

Segundo o professor, a promoção dos direitos humanos e o fortalecimento de estruturas globais de decisão como o G20, em que os países emergentes têm mais poder do que nas organizações tradicionais, devem ser os eixos principais da política externa do governo Dilma. “Não houve mudança de rumo em relação à política externa promovida nos últimos anos. Na verdade, passou a haver foi mais foco nos dois aspectos: a adoção de estruturas globais mais implementativas e a ênfase na questão dos direitos humanos”, diz Ramalho.

Em relação à defesa do Estado palestino, o especialista lembra que a criação havia sido defendida por Lula. “No ano passado, o Brasil e outros países da Unasul [União de Nações Sul Americanas] tinham tomado a decisão de defender o Estado palestino”, recorda. “A diferença é que, agora, o discurso está mais objetivo, menos baseado em generalidades.”

A nova postura na política externa, destaca o professor, pôde ser percebida com a eleição de José Graziano para a direção-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), ressalta o professor, é um exemplo de que a diplomacia brasileira passou a concentrar esforços em objetivos específicos. “Na verdade, as diretrizes do chanceler Antonio Patriota [ministro das Relações Exteriores] estão mais explicitadas. Hoje, é mais fácil saber quais são as batalhas em que o governo brasileiro vai se engajar”.

Em relação às gestões na economia internacional, Ramalho avalia que as iniciativas tomadas até agora pelo governo Dilma não trouxeram surpresas. “O Brasil tem reafirmado a necessidade de que os países mais avançados trabalhem no sentido de resolver seus problemas, sem transferir custo para economias emergentes do ajuste econômico”, declara.

Para ele, o pedido para que os países da Organização Mundial do Comércio (OMC) discutam a criação de mecanismos para impedir a desvalorização artificial de moedas para forçar exportações a emergentes é um exemplo de que a diplomacia brasileira está disposta a buscar soluções negociadas, sem recorrer a rompantes.

Edição: Lana Cristina
 

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