Muitos governos que garantiram há 10 anos que terminariam com a discriminação legal contra as mulheres falharam em cumprir o prometido, disse a atriz Meryl Streep durante uma reunião na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre questões das mulheres.
Streep, falando em nome do grupo de direitos das mulheres Equality Now (Igualdade Agora), disse que o nível de discriminação legal contra as mulheres continua o mesmo 10 anos após a Conferência de Pequim sobre as Mulheres, quando 189 governos prometeram revogar as leis discriminatórias até 2005.
Dos 45 países monitorados pelo grupo, 32 falharam em anular ou em reformar as leis de discriminação que tinham prometido revisar, disse ela durante uma coletiva de imprensa.
Leis em vigor negam às mulheres o direito de votar no Kuweit ou proíbem-nas de dirigir um carro na Arábia Saudita, disse Streep. Paquistanesas devem encontrar quatro homens muçulmanos adultos como testemunhas para provar que foi estuprada; homens podem matar suas esposas em nome da "honra" no Haiti e na Síria, e nigerianos podem espancar suas mulheres para propósitos "correcionais", disse Streep.
O Equality Now disse que também se preocupava com os direitos das mulheres no Iraque e no Afeganistão.
"No Afeganistão, a Constituição tem uma cláusula magnífica sobre a igualdade, mas o chefe da justiça tem uma ideologia bem parecida à do Taliban e já falou contra os direitos das mulheres e tomou ações que indicam claramente que ele não acredita na igualdade de direitos, mesmo que isso esteja na Constituição", disse Maha Abu-Dayyeh Shamas, palestina membro do quadro da Equality Now.