MONTEVIDÉU, 18 JUL (ANSA) - Dirigentes políticos do Uruguai declararam hoje que a morte do ex-ditador Juan María Bordaberry (1972-1976), no último domingo, deu fim a uma fase política do país que foi marcada pela violência e a repressão política.
O presidente do partido conservador Nacional, o senador Luis Alberto Heber, afirmou que o falecimento de Bordaberry marca o término de "uma geração que deu lugar ao enfrentamento entre os uruguaios".
Segundo ele, o ex-ditador, que já fez parte de sua legenda, foi "protagonista de um Uruguai violento, que queremos deixar para trás definitivamente".
O líder do partido centrista Independente, o deputado Pablo Mieres, disse que "com a morte de Bordaberry, se encerra uma etapa no país", que marcou "a fogo" várias gerações. "Temos que tomar nota para que estes eventos não voltem a se repetir", acrescentou.
O dirigente do Partido Socialista, Eduardo Fernández, declarou que o ex-ditador morto "foi um dos principais idealizadores do golpe de Estado" realizado em 1973, que tratou de promover "um país sem partidos políticos e semeou a violência de Estado junto aos militares da época".
Bordaberry, que morreu aos 83 anos de idade, foi eleito presidente de forma democrática em novembro de 1971 pelo partido de orientação conservadora Colorado e encabeçou um golpe de Estado que instaurou a ditadura militar no Uruguai dois anos mais tarde.
Em 1976, ele foi destituído do cargo por membros das Forças Armadas por ter proposto uma reforma constitucional baseada em preceitos fascistas que previa a eliminação completa dos partidos políticos e sua substituição por correntes de opinião.
Bordaberry estava preso desde 2006, apesar de ter sido transferido para seu domicílio em janeiro de 2007 por conta de seu estado de saúde, sob a acusação dos assassinatos dos ex- parlamentares Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz e dos guerrilheiros tupamaros Rosario Barredo e William Whitelow, além de outros 11 homicídios "especialmente agravados" de militantes de esquerda.
O repressor, que foi vítima de uma parada cardiorespiratória, foi sepultado em um cemitério da capital uruguaia na tarde de ontem. Ele não recebeu homenagens oficiais após seu falecimento por sua condição de ex-ditador por causa de uma lei aprovada durante o governo de Tabaré Vázquez (2005-2010).
Seu filho, Pedro Bordaberry, que concorreu às eleições presidenciais em 2009 pelo Partido Colorado e foi derrotado pelo atual mandatário, José Mujica, assumiu um cargo no Senado e atualmente também é secretário-geral da legenda. (ANSA)
DIRIGENTES POLÍTICOS URUGUAIOS COMENTAM MORTE DE EX-DITADOR
Segunda, 18 de Julho de 2011 às 08:42, por: CdB