Michel Assef, o novo Vice Jurídico do Clube, é quem faz a pergunta. E ele mesmo logo responde: "Por que devemos pagar a quem tem outro ótimo emprego e ganha para ser nosso adversário? Sou contra e vou lutar para acabar com isso". Assef fala com a experiência de mais de 30 anos como advogado e dirigente do Flamengo. O novo Vice-Presidente Jurídico Rubro-Negro disse, ainda, na tarde desta sexta-feira, dia 18 de outubro, em entrevista coletiva à imprensa, que ficou "alarmado" com o número e o volume em dinheiro das ações que correm na Justiça do Trabalho e Cível contra o Flamengo nos últimos anos. "São mais de 200 ações" - arrematou Assef. No meio da entrevista, ele lançou a bomba: "A partir de hoje, nenhum contrato, bem como qualquer acordo trabalhista ou civil vai ser feito sem que haja uma análise da minha parte. Aliás, vou questionar até os contratos de parcelamento de dívidas feitos com o Petkovic, por exemplo, que tem uma mesada de 300 mil reais do Flamengo, é funcionário do Vasco e ainda joga contra nós uma partida de futebol. Nós o pagamos e o temos como adversário? Isso não admito". Eis os principais temas abordados por Michel Assef na entrevista coletiva: Dirigente: "Participei da Diretoria do Flamengo nos últimos 30 anos. Como Vice-Presidente Jurídico assumo pela sexta vez, desde que servi no segundo mandato do presidente Márcio Braga, em 1977. De lá para cá trabalhei com praticamente todos os presidentes eleitos no clube. Mas confesso que em nenhuma outra ocasião assumi um cargo na Diretoria encontrando um Flamengo como encontrei agora, numa situação tão delicada do ponto de vista financeiro e jurídico. São muitos processos..." Ações na Justiça: "Tive uma reunião com o pessoal do Departamento Jurídico e conversei com advogados que prestam serviços ao Flamengo. Confesso que fiquei abismado. Temos, hoje, mais de 200 ações trabalhistas em curso contra o Clube, fora 49 ações cíveis e inúmeros procedimentos de ordem tributária contra o Flamengo, sem contar as ações contratuais envolvendo jogadores, demais atletas e técnicos. Na verdade, o número de ações não me assusta. O que me assusta e me amedronta é o volume em dinheiro dessas ações". Caso Pelé Sports: "A empresa do Pelé promoveu ação contra o Flamengo cobrando 6 milhões de dólares imaginando que o Flamengo pudesse dever essa quantia à empresa. Na verdade, o Flamengo não deve um único centavo à Pelé Sports. A empresa está agindo de má-fé conosco. Isso porque, num outro processo de litígio com um ex-funcionário da empresa ( o ex-diretor Hélio Viana), a Pelé Sports declara que não tem nada a receber do Flamengo, já que aquele funcionário pediu em juízo um percentual a respeito dessa pretensa dívida. Consegui uma cópia dessa alegação da Pelé Sports e juntei no nosso processo para provar nessa ação que o Flamengo não deve nada à Pelé Sports. Tem muita gente querendo se aproveitar desse momento ruim do Flamengo para ganhar dinheiro fácil às custas do clube. A ação da Pelé Sports se refere à Super Copa dos Campeões, já que o Flamengo cedeu à empresa os direitos de transmissão dos seus jogos na competição. O Flamengo pegou um adiantamento mas pagou religiosamente. A Copa dos Campeões acabou e foi criada a Copa Mercosul, a qual o Flamengo disputou como convidado. Então a Pelé Sports quer receber direitos sobre a Mercosul, que não tem nada a ver com a Copa dos Campeões e nem o Flamengo tem qualquer culpa se esta competição foi extinta para dar lugar à outra". Valores: "Na área trabalhista os valores das ações não chega a ser alarmante, a não ser o caso do Gamarra (a audiência foi hoje). No caso do Gamarra são duas ações: numa o Flamengo é autor e em outra o Flamengo é réu. Tenho pra mim que o Gamarra abandonou o emprego e assim o Flamengo deve ganhar a ação". Pagamentos a demitidos: "Entendo que o Flamengo não deveria aceitar cláusula contratual com nenhum atleta ou treinador prevendo indenização
Dirigentes do Flamengo querem acabar com a "mesada" de Petkovic
Sábado, 19 de Outubro de 2002 às 14:48, por: CdB