Por Redação, com Reuters - de Berlim/Moscou:O diretor da Confederação Alemã de Esportes Olímpicos disse nesta terça-feira que os competidores da Rússia deveriam ser proibidos de participar da Olimpíada do Rio de Janeiro se as revelações de que Moscou ocultou exames de doping positivos na Olimpíada de Inverno de Sochi de 2014 forem confirmadas. Diretor da Confederação Alemã de Esportes Olímpicos, Alfons Hoermann, durante evento em Frankfurt Bart Conner e Nadia Comaneci em cerimônia de premiação do Golden Globe, em Beverly Hills
O presidente da confederação, Alfons Hoermann, disse ao programa de rádio da emissora alemã NDR Info que o relatório produzido pelo professor de Direito canadense Richard McLaren mostrou estar na hora de pensar sobre consequências mais relevantes.
– Onde há mentiras sistemáticas, também deve haver punição sistemática – disse Hoermann. "Se o Relatório McLaren for confirmado, a consequência lógica é uma exclusão ampla dos atletas russos", disse.
Hoermann afirmou que seria importante refletir se é o caso de banir toda a delegação russa da Rio 2016 ou só equipes específicas de esportes nos quais o doping generalizado ficou comprovado.
Na segunda-feira, a Agência Mundial Antidoping (Wada) reagiu ao Relatório McLaren recomendando ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e ao Comitê Internacional Paralímpico que ambos cogitem proibir a participação de todos os atletas inscritos pelo Comitê Olímpico Russo nos Jogos do Rio no mês que vem.
Nesta terça-feira, o Comitê Olímpico Russo disse que as alegações exigem mais investigação e que está pronto para fornecer sua plena assistência a tal inquérito.
Rússia
O ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, disse nesta terça-feira que sua assessora ministerial antidoping, Natalia Zhelanova, e dois outros dirigentes foram suspensos, relatou a agência de notícias R-Sport.
Mutko disse que sua própria suspensão é uma questão a ser decidida pelo presidente russo, Vladimir Putin, e pelo primeiro-ministro, mas que não está sendo considerada no momento.
Ele disse que não há acusações contra ele em um relatório publicado pela Agência Mundial Antidoping (Wada) que encontrou evidências de amplo uso de doping patrocinado pelo Estado nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014.
O ministro também informou nesta terça-feira a suspensão da vice-chefe do Centro de Preparação de Esportes da Rússia, Irina Rodionova.
Mutko disse que não se esquivou de seus deveres mas que está pronto para assumir responsabilidade pelo escândalo de doping que cerca a Rússia, que pode ser banida de participação nos Jogos Rio 2016 em agosto.
Nadia Comaneci
Outrora uma adolescente romena que usava rabo de cavalo e se empolgava com a ideia de ter meias coloridas e mastigar chiclete, Nadia Comaneci cativou o mundo ao realizar um feito olímpico que continua despertando emoções quatro décadas mais tarde.
O rabo de cavalo ficou para trás há muito tempo, os anseios infantis foram substituídos por gostos mais sofisticados, mas, onde quer que vá, Comaneci não consegue fugir das lembranças do que aconteceu no dia 18 de junho de 1976 em Montreal, no Canadá, o dia em que se tornou a primeira ginasta a receber uma nota 10 em uma Olimpíada.
– Toda vez que tem um zero no aniversário, parece que fica maior. Teve o de 10 anos, depois 20, depois 30 e agora 40, parecem muitos números. É como se metade de sua vida tivesse passado – disse Comaneci à agência inglesa de notícias Reuters em uma entrevista por telefone durante férias curtas na Califórnia com a família.
– Mas perceber que se passaram 40 anos desde que aconteceu, é algo do tipo 'meu Deus, é sério?'
– Por ser o 40º ano, sinto como se estivesse comemorando o aniversário o ano inteiro. Todos que encontro este ano querem falar disso.
As comemorações devem continuar nas próximas semanas, já que Comaneci irá a Montreal no dia 21 de julho, quando seu filho Dylan, de 10 anos, terá a chance de ver pela primeira vez o Estádio Olímpico "onde o nome de sua mãe está gravado".
Depois será a vez da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, entre 5 e 21 de agosto.
O aniversário será passado junto com a família. Para ela e para seu marido, o também campeão olímpico Bart Conner, a lembrança da ocasião continua vívida mesmo depois de 14.610 dias.
– Lembro que, quando comecei a fazer a (sequência) obrigatória (nas barras assimétricas), pensei que tinha feito uma sequência muito boa, mas não pensei que tinha feito a sequência perfeita – contou a ex-atleta de 54 anos, que hoje vive no Estado norte-americano de Oklahoma.
– Eu sei que não queria olhar o placar, porque já estava pensando na trave depois que terminei.
– Aí ouvi um barulho enorme na plateia, olhei ao redor, virei a cabeça e vi o placar. Vi primeiro o 073, que era meu número de competidora, e a nota 1.00 embaixo.
– Olhei para uma das minhas companheiras de equipe e ela deu de ombros, mostrando que havia alguma coisa errada com o placar. Tudo aconteceu muito rápido – lembrou.
Como os juízes não esperavam que nenhum ginasta atingisse a perfeição, o placar eletrônico instalado em Montreal não tinha espaço suficiente para acomodar os quatro dígitos e ilustrar a marca perfeita.
– O fato de que o placar não podia mostrar o 10 aumentou o drama, o tornou maior – disse ela, rompendo em risos.
Conseguir o primeiro 10 da história foi um momento tão transcendental que muitas pessoas parecem se esquecer que Comaneci conquistou três medalhas de ouro naquela Olimpíada e mais duas em Moscou quatro anos mais tarde.
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