Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Dirigente curdo anuncia nova fase nas negociações de paz na Turquia

O fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, anunciou uma nova fase nas negociações de paz com o governo turco para pôr fim a um conflito de três décadas. Após reunir-se com deputados do Partido Popular Democrático (HDP) no cárcere de segurança máxima de Imrali, no mar de Marmara, onde cumpre uma condenação de prisão perpétua, o dirigente do PKK afirmou que o último dia 15 foi um ponto crucial no diálogo.

Quinta, 23 de Outubro de 2014 às 10:02, por: CdB
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Curdos ostentam bandeira do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ilegal na Turquia Pastores observam ovelhas em Tel Abyad, na fronteura Síria-Turquia
O fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, anunciou uma nova fase nas negociações de paz com o governo turco para pôr fim a um conflito de três décadas. Após reunir-se com deputados do Partido Popular Democrático (HDP) no cárcere de segurança máxima de Imrali, no mar de Marmara, onde cumpre uma condenação de prisão perpétua, o dirigente do PKK afirmou que o último dia 15 foi um ponto crucial no diálogo. Ocalan mostrou-se otimista sobre as possibilidades de sucesso da conversa, após ameaçar na semana passada pôr fim a esse processo se o governo turco se mantivesse indiferente diante das ações do Estado Islâmico (EI) na cidade síria de Ain al Arab. Desde 16 de setembro, o movimento radical sunita ataca a mencionada cidade, conhecida pela comunidade curda residente ali como Kobane, enquanto tanques turcos posicionados perto da fronteira com a Síria se mantêm inativos. A atitude das autoridades turcas levou às ruas milhares de pessoas, em sua maioria curdas, em ao menos 15 províncias desta nação, com saldo de quase 40 mortos em confrontos entre manifestantes e a polícia, bem como entre curdos e radicais islâmicos. No entanto, as promessas do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan de permitir o translado de tropas curdas iraquianas através do território nacional para operar em Ain Al Arab e os chamados à calma de Ocalan puseram fim às manifestações. A cúpula do PKK denunciou então que, apesar da retirada de cerca de dois mil guerrilheiros do território turco e de uma trégua unilateral desde março de 2013, o executivo não cumpriu seus compromissos vinculados ao processo de paz. O Governo se negou a aceitar a identidade cultural curda e levá-la à Constituição, a fazer a escolarização em curdo, rejeitou também a libertação de presos vinculados ao PKK, a modificação do regime de isolamento de Ocalan e uma descentralização administrativa. Estado Islâmico
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Residentes de uma cidade fronteiriça turca, a apenas uma hora de carro de onde o Estado Islâmico está lutando pelo controle da cidade Síria de Kobani, apreciam tempos de calmaria, que eles atribuem ao avanço dos militantes sunitas na tomada de territórios na vizinha Síria. Meses de luta no mês passado entre grupos islâmicos e o Exército de Libertação da Síria (ELS), um grupo rebelde que busca derrubar o presidente sírio, Bashar al-Assad, mantiveram os residentes de Akcakale em estado de alerta, em meio a explosões diárias e ataques com morteiros. Mas a vida ficou mais fácil no sudeste dessa cidade turca desde que o Estado Islâmico avançou perto da fronteira em Tel Abyad, em janeiro. Residentes dizem que eles são melhores vizinhos, embora não tenham simpatia pela causa dos militantes. - Acabou o tiroteio, acabou o caos. Eu sei que isso parece bizarro, mas eu prefiro ter o Estado Islâmico na fronteira do que o ELS - disse Mustafa Kaymaz, um sapateiro de 35 anos, apontando em direção ao portão de passagem na fronteira. A 65 quilômetros a oeste, já do lado sírio da fronteira, aviões dos Estados Unidos jogam bombas contra posições do Estado Islâmico ao redor de Kobani, ajudando curdos a defenderem a cidade de uma ofensiva rebelde iniciada há mais de um mês. Balas perdidas e munição de artilharia ocasionalmente atingem solo turco. Após ter vivido com o medo e com a confusão dos confrontos do outro lado da fronteira, os habitantes de Akcakale estão contentes que a vitória do Estado Islâmico tenha posto um fim nos combates nos arredores. Mas os residentes da cidade, predominantemente sunita, dizem que não concordam com a rígida interpretação do Islã adotada pelo Estado Islâmico, grupo que se tornou conhecido pelos assassinatos em massa e por sua brutalidade. - Talvez as pessoas desta cidade tivessem alguma simpatia pelo Estado Islâmico antes, já que pareciam lutar contra Assad, mas agora eles estão tentando matar curdos, nós não simpatizamos com eles - disse Ismail Balakan, morador da cidade de 28 anos. No entanto, eles dizem não estar preocupados pela proximidade com o grupo. “Desde que o Estado Islâmico tomou o outro lado da fronteira, nós temos paz”, disse Yasin, de 42 anos, irmão de Ismail.
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