Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

Diretores de agências podem ser estáveis, mas não intocáveis, diz ministro

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, defendeu na quarta-feira a possibilidade de demissão dos presidentes e diretores das agências reguladoras. De acordo com ele, não há no governo "ninguém intocável", nem mesmo o presidente da República.

Quarta, 15 de Agosto de 2007 às 09:24, por: CdB

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, defendeu na quarta-feira a possibilidade de demissão dos presidentes e diretores das agências reguladoras. De acordo com ele, não há no governo "ninguém intocável", nem mesmo o presidente da República. Mas o ministro se disse favorável à estabilidade para os que ocupam funções de comando nas agências.

— Chegamos à conclusão que diretores das agências podem e devem ser estáveis, mas não são intocáveis. Todos podem ser remanejados — afirmou Costa durante a comissão geral realizada na Câmara para discutir o marco regulatório das agências. — Neste país ninguém é intocável. O presidente da República pode ser retirado do cargo — acrescentou. 

Costa se referiu de forma geral às dez agências reguladoras em funcionamento no país. Porém, com o agravamento da crise aérea, após o acidente com o Airbus-A320 da TAM, no mês passado, o foco das preocupações do governo federal é a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), acusada de omissa e inoperante.

O ministro ressaltou que existem caminhos que podem ser executados "dentro da democracia e da convivência harmoniosa dos Poderes". Como exemplo, ele sugeriu a legislação que rege o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão ligado ao Ministério da Justiça, que autoriza a revisão das indicações dos conselheiros, caso o presidente da República deseje.

— Mas, em situações especiais, o presidente da República pode solicitar que se reveja a indicação dos conselheiros — disse Costa. — É um caminho a ser considerado — afirmou ele, sugerindo tal medida como proposta a ser adotada para as agências reguladoras.

Demonstrando atenção às mudanças que serão estabelecidas na legislação das agências, o governo federal enviou à comissão geral, além de Costa, o ministro interino Nelson Hubner (Minas e Energia), que defendeu a definição de atribuições no que envolve as agências e o governo federal.

— É necessário definir claramente os papéis para exercer a função de regulador, mediador e fiscalizador — afirmou Hubner na comissão geral da Câmara.

A comissão geral foi convocada pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para que os deputados discutam com as autoridades o funcionamento e eventuais mudanças nas agências reguladores. Para os governistas, é fundamental dar prioridade à votação das alterações no setor.

No entanto, o ministro optou pela cautela quando questionado se as sugestões do governo já seriam enviadas ao Congresso na próxima semana. — Não podemos apressar os procedimentos porque podemos incorrer no erro de deixar de discutir alguma coisa importante — avaliou. 

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