O desempenho do governo Luiz Inácio Lula da Silva em seus primeiros cem dias teve a grande virtude de conseguir manter a estabilidade do mercado. "A reversão das expectativas negativas em relação ao que poderia acontecer com a economia foi a grande vitória de Lula", diz o diretor executivo da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Antonio Carlos Borges. Segundo o empresário, acreditava-se que o novo governo concentraria seus esforços em questões sociais sem que houvesse sustentação econômica, mas não foi o que aconteceu. "O início do governo Lula está muito melhor do que o fim da administração Fernando Henrique Cardoso", admite Borges. Para o médio e longo prazos, a expectativa é que Lula encaminhe as reformas da Previdência, tributária e administrativa ainda neste ano. "Depois do primeiro ano, o governo envelhece. Por isso, seria bom enviá-las ao Congresso ainda em 2003", afirma. Do ponto de vista do comércio, os cem primeiros dias do governo Lula não alteraram o passo do comércio. As vendas continuam negativas no segmento de bens duráveis, por conta da escassez de crédito e dos juros altos. Os semi-duráveis, também no patamar negativo, continuam a sofrer com a demanda fraca, resultado da queda na renda do trabalhador e do desemprego. Apenas as áreas de alimentação, higiene pessoal e limpeza registram ligeira alta nas vendas. "As pessoas deixam de comprar bens mais caros e sobra um pouquinho mais para a alimentação e a higiene", diz Borges. "Não acredito que haja recuperação das vendas neste ano", afirma o empresário. Isso porque os juros altos já comprometeram o comércio no primeiro semestre. Caso os juros e a liquidez sejam mais positivos nos seis últimos meses do ano, o reflexo nas venda s só acontecerá em 2004, segundo Borges. "Mas a recuperação sustentada da economia só vai acontecer com as reformas", reforça.
Diretor executivo diz que início de Lula é melhor que fim de FHC
Domingo, 06 de Abril de 2003 às 06:37, por: CdB