Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2026

Diretor do FMI recorre a Lula para defender fundo

Diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato recorreu ao que chamou de ''sabedoria'' do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que o FMI não pode ser culpado pela situação econômica de certos países. (Leia Mais)

Terça, 10 de Abril de 2007 às 08:02, por: CdB

Diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato recorreu ao que chamou de ''sabedoria'' do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que o FMI não pode ser culpado pela situação econômica de certos países.

- Eu creio que a sabedoria do presidente Lula ao dizer que o fundo não pode ser culpado por tudo é uma posição boa e inteligente - afirmou Rato, durante um evento realizado em Washington, na noite desta segunda-feira.

O diretor-gerente do fundo se refiria a comentários de que países que adotam o receituário do Fundo Monetário Internacional acabam sofrendo efeitos negativos em sua economia. O presidente já afirmou que o Brasil superou a era na qual os políticos nacionais caíam sempre na tentação de atribuir as mazelas econômicas do país às ações do FMI.

- O prefeito joga a culpa no governador, que joga a culpa no presidente, que joga a culpa no FMI. Aí, o FMI joga a culpa na nossa incompetência e começa o círculo vicioso -  disse Lula.

Rodrigo de Rato disse não ver ameaças ao FMI na criação do Banco do Sul, um projeto do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e nem em um fundo monetário voltado para os países asiáticos.

- Sou a favor da integração financeira regional. Creio que é um tema chave para muitas economias emergentes importantes. E, sim, é crucial para a Ásia e, mais ainda, para a América Latina, onde não existe o mesmo grau de integração comercial. Creio que as instituições multilaterais não deveriam se sentir ameaçadas por acordos regionais - afirmou.

Hugo Chávez e o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, estão entre os principais articuladores do Banco do Sul. Os dois líderes já disseram que pretendem que a instituição seja uma alternativa sul-americana ao Banco Mundial e ao FMI.A instituição financeira sul-americana deverá contar com Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador.

A expectativa é de que ela entre em funcionamento ainda neste semestre, com um capital inicial de US$ 7 bilhões. O projeto asiático, por sua vez, chamado de Iniciativa Chiang Mai, visa que os países-membros da entidade não tenham de recorrer ao fundo no caso de uma crise econômica como a vivida pela região em 1997.Mas Rato também fez ressalvas aos projetos sul-americano e asiático, ao afirmar que ''governos costumam ser muito cautelosos na hora de colocar dinheiro público para contornar a crise de outros países''.

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