Stephen Gaghan invadiu Omã. O diretor de Syriana não fez isso de propósito, é claro, a menos que ele realmente seja um agente disfarçado da CIA. Mas enquanto rodava seu thriller político nos Emirados Árabes Unidos, Gaghan e sua equipe entraram no país vizinho e tiveram que se explicar com o Exército do país. Como os personagens em seu filme, ele descobriu como é fácil se perder entre as fronteiras invisíveis do Golfo pérsico.
Em 2004, o longa de Gaghan foi filmado em locais tão diversos quanto Baltimore e Washington (nos EUA), até Genebra (Europa) e Casablanca (África), em cinco línguas durante 74 dias. As cenas que envolvem o reino rico em petróleo do filme, a parte com o adolescente paquistanês e o clímax da história estavam entre as que foram rodadas em Dubai, uma das sete cidades-estado que formam os Emirados. Poucos filmes já foram rodados nos Emirados, e menos ainda um filme ocidental. Portanto, obter permissão envolveu a política de persuasão e negociações com a família real do país. E mesmo quando seu pedido foi aceito, e Gaghan e sua equipe chegaram ao país, a autorização foi retirada.
- Eles ouviram dizer que o roteiro era anti-saudita - disse Gaghan, explicando que a Arábia Saudita é um investidor multibilionário no país e que o chefe da família real, o xeique Mohammed bin Rashid Al Maktoum, poderia cair em maus lençóis por permitir o filme.
Felizmente, um general nas Forças Armadas do país e as fortes conexões de Robert Baer, o agente da CIA que escreveu o livro See No Evil, que inspira o filme, acalmaram as coisas.
- Tivemos apoio nos setores de inteligência - disse Gaghan.
Estar em Dubai provocou alguns confrontos culturais, principalmente porque a equipe de produção estava ali durante os dias sagrados do Ramadã. Os muçulmanos costumam jejuar durante todo o dia nesse período, e a certa altura Gaghan e alguns membros de sua equipe tiveram que se esconder para poder fazer um lanche sem ofender os habitantes locais. Enquanto outros filmes são rodados nos desertos da Califórnia ou nos desertos da África, em lugar de no Golfo, Gaghan disse que é impossível duplicar em qualquer outro lugar a luz única daquela parte do mundo.
- Pensamos no deserto como um calor seco, como o clima seco do Vale da Morte. Mas o Golfo pérsico tem 100 por cento de umidade. É como um muro que atinge você. O ar se enche com poeira rosa, e nessa combinação, a luz refrata de uma certa maneira. O que você vê no filme é basicamente negativo sem retoques. A luz realmente se parece com aquilo - ele disse.
Quanto à incursão para Omã: para uma cena que no fim foi cortada do filme, Gaghan queria um comboio de camelos viajando pelas dunas de areia rosadas contra o fundo de montanhas. Ele continuou indo além e além no deserto para filmar "todos esses caras que parecem contrabandistas beduínos; eles tinham metralhadoras e revólveres e estavam nesses camelos enormes."
Foi aí que surgiram os veículos militares, exigindo saber o que estava acontecendo. Os produtores explicaram que tinham permissão do xeique, que tinham licença.
"Onde vocês pensam que estão?", perguntaram os oficiais. Quando a poeira assentou, Gaghan ficou sabendo que ele havia entrado no território de Omã, e teve que dar meia-volta.