Os admiradores do filme <i>Nove rainhas</i> que esperam assistir ao mesmo tipo de suspense no novo trabalho do diretor argentino Fabián Bielinsky, também protagonizado por Ricardo Darín, talvez se decepcionem.
Apesar de ser um thriller de qualidade, <i>El aura</i> marca a entrada de Bielinsky num território muito menos agradável, depois do sucesso de crítica e bilheteria de seu primeiro longa-metragem. O novo filme é muito mais lento e o protagonista, muito mais sombrio.
- O personagem principal atrai os elementos da história, como se fosse um buraco negro - disse o diretor à imprensa.
Ricardo Darín representa um taxidermista que odeia a tortura e a matança de animais. É um homem sombrio, de poucas palavras e olhar penetrante.
O personagem começa o filme fantasiando sobre um roubo perfeito e então, em função de um acidente trágico, se vê envolvido num crime muito mais macabro.
Sabe-se pouco sobre o que o motiva, e esse enigma se reflete na maneira como o filme foi rodado, com uso escasso das cores.
Uma das cenas mais fortes mostra o personagem sofrendo um ataque epiléptico. Em outra, ele descreve a sensação, que chama de "aura", que o sufoca antes de ele sofrer um branco, num momento "horrível e perfeito".
<i>El aura</i> está concorrendo à Concha de Ouro, mas teve recepção apenas morna entre o público presente ao festival de San Sebastián, na Espanha.
- A história é sombria e o personagem também (...) a ausência de humor não estava realmente prevista (...), mas ela parecia fora de lugar - respondeu Bielinsky, quando indagado se os admiradores de seu primeiro filme podem se sentir decepcionados com a ausência de humor.
Apesar disso, Ricardo Darín acredita na força de seu personagem. O ator é popular na Espanha e na Argentina, sendo conhecido sobretudo por seus papéis cômicos em filmes como <i>O filho da noiva</i>, de Juan José Campanella.
Diferentemente dos festivais de cinema maiores de Cannes, Veneza e Berlim, os organizadores do evento de San Sebastián querem convertê-lo numa plataforma natural para a divulgação do cinema latino-americano.
Em parte por esse motivo, o cinema argentino vem vivendo um período de anos dourados, com sucesso de bilheteria e/ou crítica internacional para cineastas como Bielinsky, Juan José Campanella (<i>O filho da noiva</i>, <i>Luna de avellaneda</i>), Carlos Sorín (<i>Histórias mínimas</i>) e Lucrecia Martel (<i>A menina santa</i>, <i>O pântano</i>).