Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

Diretor de laboratório culpa químico pela contaminação do Celobar

Segunda, 09 de Junho de 2003 às 16:14, por: CdB

O diretor-presidente do laboratório Enila, Márcio D'Icarahy, produtor do Celobar, culpou nesta segunda-feira o químico da empresa, Antônio Carlos Fonseca, pela contaminação do medicamento. O Celobar é suspeito de ter provocado 21 mortes no país. Em depoimento à Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde Pública, órgão da Polícia Civil do Rio, D'Icarahy disse que Fonseca "deve ter esquecido" de lavar os equipamentos onde o carbonato de bário foi manipulado. Em seguida, segundo o depoimento, o químico passou a manipular o sulfato de bário nos equipamentos (bomba, encanamento móvel e tanques de armazenamento móvel e envazamento). O delegado Renato Nunes, com base nas declarações do diretor, disse que Fonseca negou ter provocado a contaminação do produto. Ele teria chegado a beber um copo do Celobar supostamente contaminado a fim de mostrar que não havia a contaminação. Carbonato de bário O diretor disse que demitiu o químico no dia 23. Fonseca teria tentado transformar 590 kg de carbonato de bário em sulfato de bário, princípio ativo do Celobar, um contraste radiológico. O objetivo seria produzir o insumo, que é importado, como forma de baratear custos. O laboratório planejaria produzir o insumo em larga escala, para vender a concorrentes. D'Icarahy negou que o material manipulado tenha sido utilizado no medicamento. Disse que foi jogado fora em um efluente industrial. - O carbonato foi comprado para ser usado na área química da empresa, não na produção farmacêutica. Toda matéria-prima é importada - afirmou. Ele descartou a hipótese de o material ser sido utilizado por engano. Questionado sobre o que pode ter dado errado, o diretor respondeu: "Nada deu errado". O delegado informou que o Enila não tem autorização para produzir insumos, somente para experimentos químicos. Lote contaminado O diretor também acusou Fonseca de ser o responsável pela liberação de um lote contaminado por bactérias, mesmo ele tendo sido vetado pelo controle de qualidade da empresa. Segundo D'Icarahy, a equipe de controle de qualidade teria proibido a comercialização do lote devido à detecção de uma contaminação bacteriana. Apesar disso, o químico, que também era gerente do controle de qualidade, teria autorizado a venda do lote. A decisão foi tomada de forma isolada sem que nenhuma outra pessoa do laboratório tivesse sido consultada, segundo o diretor. D'Icarahy contestou o laudo da Vigilância Sanitária que aponta uma quantidade insuficiente de sulfato de bário no laboratório, o que seria incompatível com a produção do medicamento. Isso indicaria que o carbonato de bário estaria realmente sendo utilizado na composição do Celobar. Para tentar provar o contrário, o diretor apresentou documentos com as notas fiscais de compra do sulfato de bário dos últimos três anos. Adulteração de medicamentos Apesar de o diretor ter responsabilizado Fonseca pela contaminação, o delegado afirmou que os dois poderão ser indiciados por adulteração de medicamentos, crime cuja pena vai de dez anos a 15 anos de prisão e que pode ser dobrada por envolver mortes. - A responsabilidade não é só de quem manipulou. Ela tem que ser atribuída aos seus superiores, os responsáveis pelo laboratório e por seus produtos. Nunes não descartou a possibilidade de eles serem também indiciados por homicídio culposo (sem intenção). O depoimento de D'Icarahy durou quatro horas. Em seguida, começou o de Fonseca que ate às 18h50 não havia terminado.

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