O diretor do drama indicado ao Oscar "Hotel Ruanda" disse na segunda-feira que pretende aproveitar a popularidade do filme para levantar dinheiro para os sobreviventes do genocídio de 1994 no país.
Milhares de sobreviventes iriam assistir ao filme na segunda-feira no estádio de esportes da capital de Ruanda, Kigali, poucos dias antes do 11o aniversário do genocídio, na quinta-feira.
A maioria dos sobreviventes ainda não assistiu ao filme, baseado numa história verídica e aclamado pela crítica.
"Foi realmente importante voltar para cá e mostrar o filme ao povo de Kigali, para que ele veja que o mundo está começando a ouvir a mensagem sobre o aconteceu em 1994", disse o diretor Terry George.
"Estamos tentando ver como podemos aproveitar a emoção gerada pelo filme para ajudar o povo de Ruanda, especialmente os sobreviventes do genocídio", ele disse à Reuters.
Durante uma onda de violência que durou 100 dias em 1994, cerca de 800 mil tutsis e hutus moderados foram massacrados por extremistas hutus.
O filme focaliza a história do gerente de hotel Paul Rusesabagina e sua mulher, que salvaram mais de 1.200 refugiados em seu hotel em Kigali durante o genocídio.
Estrelado por Don Cheadle, indicado ao Oscar pelo papel, o filme mostra como Rusesabagina usou sua influência para subornar oficiais militares para conseguir uma rota de fuga para os refugiados.
"Tenho certeza de que os ruandeses querem que essa história seja conhecida, mesmo porque os fatos envolvendo o genocídio foram ignorados pelo resto do mundo", disse George.
O diretor nascido em Belfast disse que pretende fazer lobby com empresários e industriais para conseguir dinheiro para o recém-criado "Fundo Internacional para Ruanda", formado através de uma parceria entre os criadores do filme e as Nações Unidas.
A organização pretende dar apoio direto a programas humanitários, de desenvolvimento e de auxílio aos sobreviventes em Ruanda.
"Estamos tentando criar vínculos entre escolas nos EUA e em Ruanda, pelos quais estudantes poderão interagir e trocar experiências cara a cara", disse George.
Alguns sobreviventes que assistiram ao filme expressaram sentimentos mistos. Alguns disseram que ele não chega a captar todo o horror do genocídio, mas outros reclamaram que o filme reabriu feridas antigas.
Outro filme baseado na violência de 1994, "Some time in April", dirigido por Raoul Peck, estreou em Ruanda em janeiro, exibido também no estádio nacional de Kigali.