Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Direitos dos homossexuais são alvo de debates em Cuba

Parlamento estuda projeto de lei que prevê reconhecimento legal de casais gays.

Quinta, 27 de Março de 2008 às 06:49, por: CdB

A Assembléia Nacional de Cuba começou a julgar um projeto de lei apresentado pelo Centro Nacional de Educação Sexual (CENESEX) que garante direitos a homossexuais, uma das minorias mais vulneráveis do país.

O projeto, que está sendo estudado pelas comissões correspondentes, propõe três direitos básicos: o reconhecimento legal de casais homossexuais, a possibilidade de que transexuais possam mudar o nome oficialmente e o reinício das operações de mudança de sexo.

Se o projeto for aprovado na próxima sessão geral do parlamento, entre junho e julho, será um grande avanço no país em que até 30 anos atrás homossexuais eram presos e onde até hoje sofrem preconceito.

Até hoje, apenas um transexual conseguiu mudar de sexo no país, e cerca de 30 aguardam a aprovação da lei.

Casamento

O projeto de lei em discussão também prevê mudanças no Código de Família, que inclui o reconhecimento de maiores direitos para crianças, mulheres, idosos, deficientes e garante o direito das pessoas segundo sua orientação sexual e identidade de gênero, segundo a diretora do CENESEX Mariela Castro, filha do ex-presidente Fidel Castro.

- O que propomos facilita o reconhecimento legal das uniões entre os homossexuais. Não estamos falando de casamento porque ainda há resistência - disse Mariela Castro.

Segundo Mariela, a instituição família é muito mais importante em Cuba do que o casamento, e ainda não há consenso no país sobre o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. O ministro da Cultura, Abel Prieto, disse à imprensa que seria possível aprovar o casamento, mas o presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, afirmou que é preciso levar em consideração não apenas os católicos, mas todas as religiões cristãs "que consideram o casamento como um sacramento".

Os homossexuais são uma das minorias sociais mais marginalizadas de Cuba. Desde a revolução, quando o governo passou a adotar estratégias para integrar socialmente negros e mulheres, os homossexuais foram reprimidos.

Ser homossexual também era impedimento para obter trabalho em setores como o da educação, cargos de direção e, muitas vezes, trazia problemas para estudar em alguns centros. No momento, não há nenhuma lei de amparo ao direito dos homossexuais em Cuba, o que os deixa a mercê de qualquer pessoa homofóbica que, em cargo de autoridade, possa tomar medidas contra eles mais ou menos impunemente.

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