O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, pediu na manhã desta quinta-feira o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a criação de um observatório latino-americano para avaliação das políticas sociais. Esta é uma das primeiras aparições públicas do ministro após a demissão de seu assessor, Waldomiro Diniz. Para Dirceu, os países da América Latina vão "avançar nas políticas sociais, apesar das restrições orçamentárias e das dificuldades econômicas vividas em cada país".
O ministro participou do Seminário Latino-Americano para o Fortalecimento da Função Avaliação de Políticas Sociais, promovido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) no Palácio do Itamaraty. O encontro foi aberto pelo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, e teve também a participação do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias.
Em sua palestra, José Dirceu reiterou a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de integrar fisicamente os países sul-americanos por meio de rodovias, ferrovias, rotas aéreas e hidrovias.
O ministro também destacou a importância do pacto federativo para a execução e controle dos projetos sociais.
- O controle deve ser duplo, tanto institucional quanto feito pela população. O pacto federativo entre estados e municípios é elemento essencial nessa avaliação do emprego de políticas sociais - afirmou Dirceu.
Ainda sobre o controle de gastos, ele comentou que os governos latino-americanos "têm a obrigação de gastar com mais eficiência, de controlar e avaliar os investimentos sociais", e afirmou que, no Brasil, por causa das desigualdades regionais e do pluralismo cultural, a descentralização dos programas sociais é o segredo para o sucesso deles.
O ministro Patrus Ananias, por sua vez, aposta na participação popular no controle dos gastos sociais. "A democracia é ágil, tem a participação popular, mas não é terra de 'João Ninguém'. Deve estabelecer prazos, regras e procedimentos", defendeu em sua palestra. "Não podemos jogar para Deus as tarefas e responsabilidades que são nossas", sustentou o ministro Ananias, num discurso com citações religiosas.