Ex-ministro-chefe da Casa Civil e deputado cassado, José Dirceu e o secretário Nacional dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, participaram na manhã desta sexta-feira de cerimônia ecumênica na Praça da Sé, realizada para a entrega para família dos restos mortais de Luiz Cunha, o comandante-crioulo, membro da Aliança Libertadora Nacional (ALN), cuja ossada foi descoberta no cemitério de Perus, na Zona Norte da capital paulista.
É o segundo corpo de militante da esquerda, morto durante a ditadura militar, descoberto no local.
José Dirceu de Oliveira e Silva mantém a sua base política em São Paulo. Ele recebeu treinamento militar em Havana (Cuba) e foi filiado à Ação Libertadora Nacional (ALN), mas não chegou a participar da luta armada contra a ditadura militar. Líder estudantil, Dirceu foi preso e, posteriormente, exilou-se em Cuba. Voltou clandestinamente ao Brasil em 1975, já após o desmantelamento dos grupos guerrilheiros revolucionários no país.
Morou durante cinco anos usando identidade falsa em Cruzeiro do Oeste, no interior do Paraná. Com a redemocratização, em 1980, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, do qual foi presidente nacional durante a década de 1990. Exerceu vários mandatos como deputado federal até 2003, quando - com a ascensão do partido ao governo federal - deixou o posto para assumir a Chefia da Casa Civil (cargo equivalente ao de chefe de gabinete) da Presidência da República. Dirceu teve seu mandato de deputado federal cassado no dia 1º de dezembro de 2005, por causa do escândalo do Mensalão.
Dirceu foi sucedido na presidência do PT por José Genoíno. Genoíno, por sua vez, foi substituído por Tarso Genro, que completou o mandato de Dirceu. Depois disso, Ricardo Berzoini foi eleito o novo presidente do PT.