O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, negou nesta quarta-feira que exista uma crise no país e reforçou que o governo tentará brecar a CPI dos Correios no Congresso, que classificou como "disputa política".
Ele também não acredita que as denúncias de corrupção nos Correios possam respingar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O governo não tem responsabilidade direta em nenhuma das denúncias", afirmou Dirceu a jornalistas na cerimônia de posse do novo presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia, em Brasília, acrescentando que o próprio governo está apurando o caso.
Dirceu buscou limitar a abrangência da CPI dos Correios, aberta depois de denúncias sobre suposto esquema de corrupção na estatal, a uma "disputa política". Ele reforçou, no entanto, que o governo tentará evitar a CPI por meio da maioria que possui na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que vai julgar a constitucionalidade da investigação.
"CPI é sempre legítima. É um direito da minoria querer a CPI. É um direito da maioria analisar se ela é adequada ou não para determinada investigação", afirmou.
O ministro classificou de "normal" o fato de o governo não ter maioria no Congresso, já que faz parte da democracia. Ele chegou a citar que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, também enfrenta problemas para votar, por exemplo, questões previdenciárias no seu país.
"O governo pode ter maioria ou não ter. Isso é normal. O que não podemos é transformar aquilo que não é, em crise... Não há crise no país."
POPULARIDADE
Dirceu também não vê nenhum problema na queda de popularidade do presidente Lula, revelada pela pesquisa CNT/Sensus divulgada na terça-feira. A popularidade do presidente caiu para 39,8 por cento em maio, contra 41,9 por cento em abril, segundo dados da pesquisa.
"O Brasil é um país com forte opinião pública, e isso é um estímulo para tomar medidas adequadas para atender os anseios da população", afirmou o ministro, acrescentando que o Brasil vive um momento de "absoluta tranquilidade" no campo político.
Indagado se o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, teria assumido a coordenação política a partir dos últimos acontecimentos que aumentaram a tensão em Brasília, Dirceu foi enfático.
"O ministro Palocci não tem participação direta (na coordenação). É o ministro Aldo Rebelo que é o responsável pela articulação política. Nós só atuamos quando convocados pelo ministro Aldo Rebelo", afirmou Dirceu.
O ministro também rebateu as críticas de que o governo está paralisado. Ele argumentou que o presidente acabou de voltar de uma viagem de êxito à Coréia do Sul e ao Japão e que foi criado o pregão eletrônico para compras governamentais. Dirceu destacou que o governo está trabalhando junto ao Congresso para a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Reforma Tributária.