O jornalista e escritor Fernando Morais afirmou, nesta quarta-feira ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, que não acredita nas denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ) contra o ex-ministro-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP).
- Tenho uma dificuldade muito grande em acreditar que alguém que dedicou sua vida inteira a uma idéia iria emporcalhar sua história por causa de dinheiro. Quem conhece razoavelmente a vida do José Dirceu, como eu conheço, não pode crer que ele tivesse se responsabilizado por um esquema ilegal e criminoso de cooptação de parlamentares - reiterou o jornalista. Fernando Morais depôs como testemunha de defesa de José Dirceu, acusado pelo PTB de quebra de decoro parlamentar.
O escritor contou que conheceu Dirceu nos anos 60, ainda quando o ex-ministro era líder estudantil. Lembrou que, nos anos 80, estiveram de lados opostos - Morais era secretário estadual de Cultura do governo Orestes Quércia (PMDB) e José Dirceu fazia oposição "dura e sistemática" a Quércia como líder do PT na Assembléia Legislativa paulista.
Segundo Morais, os dois conviveram mais intensamente apenas em 2002, quando o escritor desistiu da candidatura a governador de São Paulo pelo PMDB e, a convite de Dirceu, participou das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente e de José Genoino a governador.
Morais assegurou que, depois disso, teve encontros esporádicos com José Dirceu e que apenas conheceu mais "detalhes" da vida do ex-ministro recentemente, quando pesquisava para um livro sobre o Movimento de Libertação Popular (Molipo). Dirceu é um dos três sobreviventes do movimento.
- Passei uma semana com ele em Havana, nos feriados de Carnaval. Pude conhecer detalhes da vida dele que não conhecia, o que fez com que eu consolidasse minha convicção de que se trata de um homem de caráter. Com base nisso, aceitei vir aqui - disse aos integrantes do Conselho de Ética.
O escritor também enfatizou que participou em duas ocasiões de negociações partidárias entre PMDB e PT - em 1990, no segundo turno das eleições em SP, e em 2002, quando defendia candidatura própria do PMDB e intermediou o apoio do PMDB paulista ao candidato do PT.
- Em nenhum momento me foi oferecido dinheiro, material de campanha ou qualquer apoio financeiro. Em 2002 discutimos muito, era uma situação delicada para os dois lados. Apesar disso,a articulação deu certo e não custou um tostão de mel coado, nada, nem um boné - assegurou.
Fernando Morais disse que não podia contribuir com informações sobre as denúncias de compra de votos ou sobre a atuação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, pois não tem qualquer ligação com o PT. "Não tenho absolutamente nenhuma familiaridade com a vida do PT, não sei o que se passa lá dentro. Minha única relação com o PT é ter votado nele em algumas ocasiões", afirmou. E concluiu: "Acredito que minha presença aqui possa contribuir, ainda que modestamente, para a formação de um juízo de valor a respeito do caráter de José Dirceu".
Às 13h desta quinta feira, o Conselho de Ética ouvirá o ex-presidente nacional do PT José Genoíno.