Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Dirceu não renuncia e diz que vai 'lutar até o fim'

Em depoimento no Conselho de Ética da Câmara, o ex-ministro da Casa Civil e deputado José Dirceu (PT-SP) deixou claro que não vai renunciar ao seu mandato. O deputado enfatizou, emocionado, que está se apresentando como testemunha e que não há qualquer acusação formal contra ele, embora haja, em sua opinião, um prejulgamento de sua conduta. (Leia Mais)

Terça, 02 de Agosto de 2005 às 14:41, por: CdB

Em depoimento  no Conselho de Ética da Câmara, nesta terça-feira, por mais de oito horas, o ex-ministro da Casa Civil e deputado José Dirceu (PT-SP) deixou claro que não vai renunciar ao seu mandato. O deputado enfatizou, emocionado, que está se apresentando como testemunha e que não há qualquer acusação formal contra ele, embora haja, em sua opinião, um prejulgamento de sua conduta.

- Não vou renunciar ao meu mandato. Não teria condições de olhar nos olhos do presidente do Conselho, do relator, de todos os aqui, da minha geração de 68, dos meus companheiros de luta contra a ditadura, da militância do PT, de andar de cabeça erguida pelo Brasil. Vou lutar pelo meu mandato até o fim. Só quero justiça - discursou Dirceu.

Durante 30 minutos, o ex-ministro se defendeu das acusações do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser um dos operadores do mensalão. Dirceu disse que paga caro por seu posicionamento, mas ressaltou que não existe acusação formal contra ele. O deputado disse ainda que não assumirá a responsabilidade pelos empréstimos feitos pelo publicitário Marcos Valério ao PT. Segundo Dirceu, ele não participava das decisões da direção do PT. O deputado também enfatizou que não organizou o mensalão e que nunca permitiria a prática de compra de votos de parlamentares.

Dirceu negou também em seu depoimento que tenha recebido ligações do empresário Marcos Valério para articular favorecimentos para a ex-mulher de Dirceu, a psicóloga Maria Ângela Saragoça. O deputado lembrou que o Banco Rural confirmou que não foram constatadas irregularidades nos créditos imobiliários de R$ 42 mil feitos por Maria Ângela, e afirmou que o BMG também reconheceu que houve um processo de seleção pelo qual sua ex-esposa foi avaliada e contratada.

Apoio da Portugal Telecom

O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirmou, no plenário da Comissão de Ética da Câmara, que seu partido e o PT teriam negociado um acordo com a Portugal Telecom, para colocar as finanças das duas legendas em dia. A declaração de Jefferson foi feita durante depoimento do ex-ministro e deputado José Dirceu (PT-SP) e não esclareceu se chegou a ser feito algum acerto com a empresa portuguesa, dona de 50% do maior grupo de telefonia móvel do Brasil, a Vivo.

- Vossa excelência (Dirceu) fez uma aproximação com o grupo da Portugal Telecom com o presidente Lula (...). Depois autorizou o PTB, quer dizer a mim, presidente do PTB, e ao PT que mandássemos emissários a Portugal, em nome do PT, em nome do PTB. Para que nós negociássemos de lá... um acordo que pusesse em dia as contas do PTB e do PT - disse Jefferson.

À noite, o Grupo Portugal Telecom negou a informação, por meio de uma nota.

"O Grupo Portugal Telecom esclarece que nunca teve qualquer conhecimento ou participação com o objetivo de organizar um encontro com representantes dos partidos políticos PT (Partido dos Trabalhadores) e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) em Lisboa, Portugal", diz a nota.

"No Brasil, a Portugal Telecom, por força dos investimentos que possui no país, mantém contatos institucionais com o governo, autoridades políticas, meios empresarial, social e cultural", acrescenta o grupo no comunicado.

O Palácio do Planalto também soltou uma nota negando o envolvimento do presidente Lula em qualquer negociação para obtenção de recursos para o PT e o PTB via Portugal Telecom.

"O presidente da República recebeu a Portugal Telecom em 21 de janeiro de 2003 e em 19 de outubro de 2004. As audiências foram solicitadas por aquela empresa para comunicar seus novos investimentos no Brasil", informa a nota da Secretaria de Imprensa da Presidência.

Segundo a nota, nas duas audiências estavam presentes os ministros das Comunicações, Miro Teixeira (em 2003) e Eunício Oliveira (em 2004). Também participou do segundo encontro o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan

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