Rio de Janeiro, 01 de Maio de 2026

Dirceu ganha mais uma semana em cenário cada vez menos hostil

Mais um capítulo da novela da cassação do mandato do deputado José Dirceu (PT-SP) foi ao ar, nesta terça-feira, com a votação de recurso do ex-ministro da Casa Civil na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal. E a sessão terminou com mais uma decisão favorável ao petista. (Leia Mais)

Terça, 22 de Novembro de 2005 às 23:00, por: CdB

Mais um capítulo da novela da cassação do mandato do deputado José Dirceu (PT-SP) foi ao ar, nesta terça-feira, com a votação de recurso do ex-ministro da Casa Civil na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal. E a sessão terminou com mais uma decisão favorável ao petista. Por 34 votos a 14, integrantes da comissão aprovaram o parecer do deputado Sérgio Miranda (PDT-MG) que, na prática, inviabiliza a votação no Plenário da Casa do pedido de cassação do ex-ministro da Casa Civil ainda nesta semana.

Originalmente, o parecer de Dirceu na CCJ solicitou que as testemunhas fossem ouvidas novamente na ordem regimental, ou seja, primeiro as da acusação e depois as da defesa. Como no seu processo verificou-se a inversão, os advogados do parlamentar apontarem prejuízo ao direito de defesa.

O parecer aprovado não atendeu ao conteúdo do recurso, mas ratificou a determinação de que o Conselho de Ética não poderia ter enviado o processo ao Plenário antes do encerramento da deliberação de recurso sobre o caso na CCJ. Por causa disso, o pedido terá de ser lido novamente pelo presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o que abre prazo regimental mínimo de duas sessões entre a leitura e a votação da matéria.

Com isso, a defesa de Dirceu ganha dois dias úteis, a quarta e a quinta-feiras (23 e 24), empurrando para a próxima semana a decisão final sobre o ex-ministro, já que as sessões deliberativas tradicionalmente não costumam ser marcadas nas segundas e sextas-feiras. O data da decisão já foi definida: 30 de dezembro, na próxima quarta-feira.

Alguns colegas de Dirceu no Parlamento, porém, se desdobram para minar a resistência do ex-guerrilheiro. Autor do parecer pela cassação de Dirceu no Conselho de Ética, Júlio Delgado (PSB-MG) está de volta à cena para recolher assinaturas de deputados pela "quebra de interstício", ou seja, pela pronta votação no plenário. Tal prerrogativa foi lançada no caso do deputado Sandro Mabel (PL-GO), absolvido há duas semanas por 340 deputados, contra 108, 17 nulos e duas abstenções. A diferença é que havia a clara intenção da maioria dos deputados e deputadas de evitar cassação de Mabel, enquanto o ânimo com relação ao ex-chefe da Casa Civil é bem diferente. Pesa em desfavor à manobra de Delgado, contudo, o receio de nova apelação ao Supremo Tribunal Federal (STF) por parte da defesa de Dirceu, o que poderia gerar mais desgaste para o Poder Legislativo, diante do Poder Judiciário.

Entre perdas e ganhos, José Dirceu ganhou a seu favor mais um argumento de peso: o relatório final do deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), da CPI da Compra de Votos. Na peça, Abi-Ackel chegou à seguinte conclusão a respeito do esquema denunciado por Jefferson. "Foi possível relacionar os nomes de parlamentares que perceberam vantagens ilícitas, em virtude da ausência de provas concretas que permitam a atribuição de responsabilidade penal a deputados. Mas são múltiplos os indícios de que houve distribuição de dinheiro a deputados da base parlamentar do governo. O recebimento desse dinheiro não caracteriza o 'mensalão'. Mas houve, sem dúvida, pagamentos de dinheiro em espécie, em alguns casos em prestação única e outros em prestações sucessivas. A não citação de nomes se deve ao fato de não ter havido confissões pessoais ou de terceiros, nem flagrante".

Em outra CPI, porém, Dirceu deve enfrentar mais percalços. O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator na CPI dos Correios, deve pedir o indiciamento de nada menos que 50 pessoas, entre as quais o mesmo José Dirceu. A citação de Dirceu contraria novamente o Regimento Interno, já que o ex-ministro está em julgamento no Conselho de Ética desde muito antes de ter o nome citado na CPI.

Pesquisas realizadas até bem pouco tempo atrás entre deputados dispostos a revelar sua intenção de voto davam como certa a cassação de Dirceu por dois terços dos votos - margem bem mais ampla do que a do ex-deputado Roberto Jefferson, que e

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