O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, defendeu hoje a necessidade de movimentos de luta pela reforma agrária e reafirmou a meta do governo de assentar 115 mil famílias até o final do ano. As declarações, relatadas pelo presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Luís Carlos Guedes Pinto, foram feitas em encontro com secretários estaduais de agricultura.
"Ele reconhece a dívida social que o país tem com esse segmento da população. Ele acredita que é preferível tem uma população organizada do que não ter", disse Guedes.
Segundo o relato do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também presente ao encontro, o chefe da Casa Civil afirmou que uma reforma agrária de qualidade tem de ser bem negociada. "Ele falou que precisamos tratar do assunto abertamente, democraticamente", disse o Rodrigues.
Para José Dirceu, o crescimento do agronegócio brasileiro força a revisão da dinâmica da reforma agrária. Ele explicou que não adianta distribuir terras sem investir na produção e na infra-estrutura necessárias para garantir a sustentabilidade dos assentamentos.
Sobre os conflitos no campo entre fazendeiros e sem-terra, Dirceu teria afirmado que os atuais embates são resultado dos erros de uma política de governo excludente verificada nos últimos anos.
Ele aproveitou a ocasião para fazer uma síntese das ações do governo no agronegócio nesses primeiros 18 meses e reconheceu que o país só não desenvolve a agricultura de forma mais agressiva em virtude dos gargalos na área de infra-estrutura.