Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Dirceu critica política econômica de Palocci

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, de Lisboa, criticou a condução da política econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Disse que o Brasil não pode se dar ao luxo de ser gerido por metas de inflação e política de juros e que a base social do PT está "tensa" por conta dos rumos dessa política. As declarações foram feitas durante almoço com um grupo de cerca de 30 pessoas no Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais de Lisboa, onde Dirceu palestrou e respondeu a perguntas de políticos, intelectuais e jornalistas portugueses. (Leia Mais)

Quinta, 09 de Junho de 2005 às 08:23, por: CdB

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, de Lisboa, criticou a condução da política econômica comandada pelo ministro da Fazenda,  Antonio Palocci Filho e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.  Disse que o Brasil não pode se dar ao luxo de ser gerido por metas de inflação e política de juros e que a base social do PT está "tensa" por conta dos rumos dessa política.

As declarações  foram feitas durante almoço com um grupo de cerca de 30 pessoas no Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais de Lisboa, onde Dirceu  palestrou e respondeu a perguntas de políticos, intelectuais e jornalistas portugueses.

- Se deixarem, (integrantes da equipe econômica) fazem o superávit primário de 7%, juros de 20%. Isso é uma disputa política. Não falar isso é faltar com a verdade para a sociedade - declarou o ministro, durante a reunião, em que foi servida garoupa no pão, purê de tomate e vinho.

Nos bastidores do governo, Dirceu é um dos principais críticos da política econômica executada pela Fazenda. Ataca os altos patamares dos juros, hoje em 19,75%, e do superávit primário (o quanto se economiza para pagamento de juros), que tem meta anual de 4,25% e ficou em 7,2% do PIB de janeiro a abril deste ano.

Embora tenha dito ser importante o papel desempenhado pela "Autoridade Monetária", o Banco Central, Dirceu disse que é importante o Brasil promover "políticas de desenvolvimento".

- E esse tem sido meu papel no governo. Muitas vezes temos de fazer acordo, temos de ceder - completou o ministro ao falar sobre os interesses envolvidos na discussão sobre a política econômica.

Para Dirceu, todo o debate econômico da administração petista envolve utopias e projetos.
-Os diferentes setores econômicos disputam o Orçamento da União e a política fiscal. Empresários querem menos juros, mas não é o que querem os credores internacionais.

Para a platéia, Dirceu afirmou que o presidente desempenha papel de árbitro em todas essas discussões econômicas. Durante o encontro, o ministro disse que há boas perspectivas de crescimento para o país. 

- para este ano, a previsão de crescimento é de 4% ou 5%. Corremos o risco de crescer um pouco menos porque o Banco Central é muito autônomo neste país. Quer alcançar uma meta de superávit de 5% - afirmou.

Apesar do otimismo de José Dirceu, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ligado ao Ministério do Planejamento, reduziu sua previsão de crescimento econômico de 3,5% para 2,8% neste ano.

O ministro disse que seu papel no governo é buscar a política de desenvolvimento da gestão petista, levando em consideração os caminhos da política econômica.

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