Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

Dirceu apresenta 'contra-relatório' em defesa de seu mandato

Deputado e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP) apresentou, nesta sexta-feira, em entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, o que ele denominou de "contra-relatório" para responder, um por um, os argumentos usados no relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo que pede sua a cassação por quebra de decoro parlamentar. (Leia Mais)

Sexta, 21 de Outubro de 2005 às 11:15, por: CdB

Em três horas de depoimento à Polícia Federal, o deputado José Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil, negou as acusações contra ele e repetiu o que havia dito na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios. A informação foi dada pelo delegado Praxíteles Praxedes, que esteve no depoimento e é um dos responsáveis pelas investigações do suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares, o "mensalão".

Na tarde desta sexta-feira, o deputado concedeu entrevista coletiva na Câmara dos Deputados e voltou a negar o seu envolvimento em qualquer esquema ilegal. "Não existe e não está comprovado o mensalão", afirmou Dirceu.

- Não há nenhum fato que comprove a existência do mensalão, até porque as CPMIs ainda não concluíram seus trabalhos - afirmou.

Durante a entrevista, Dirceu apresentou um "contra-relatório" em resposta ao relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) apresentado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar nesta semana, no qual afirma que Delgado distorceu vários depoimentos para incriminá-lo. O ex-ministro da Casa Civil citou o depoimento do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do deputado Edmar Moreira (PL-MG). No caso de Chinaglia, Dirceu disse que Delgado pinçou somente os trechos do depoimento que davam a entender que o ex-ministro ainda teria influência na Executiva Nacional do PT.

Dirceu não se limitou a negar o mensalão. Ele também negou participação nos empréstimos tomados pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares junto ao empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza.

- Não há nenhuma prova que eu tenha participado de nenhuma decisão da executiva do PT depois de ter deixado a presidência do PT. Não há provas que eu tinha relação de amizade com o senhor Marcos Valério, inclusive ele mesmo nega em seus depoimentos que tinha relação de amizade comigo - afirmou.

O deputado também citou o depoimento de Marcos Valério na CPI, no qual o publicitário negou ter tratado de empréstimos ao PT com o ex-ministro da Casa Civil.

- Toda a acusação fica desmontada. Temos que pegar a íntegra do depoimento da testemunha, e não usar um parágrafo da acusação. Se o que o Valério disse é uma prova contra mim, também é uma prova a meu favor - disse.

Na sua entrevista, Dirceu procurou rebater ponto a ponto as acusações que pesam contra ele no relatório de Júlio Delgado. O ex-ministro afirmou que o governo não fez ações no sentido de beneficiar o BMG nem o Banco Rural, instituições bancárias usadas por Marcos Valério para distribuir dinheiro a parlamentares e assessores.

- Quero repelir a acusação de que o governo tenha beneficiado o Banco Rural ou o BMG através dos fundos de pensão ou através de crédito consignado - afirmou.

Quanto às mudanças partidárias das bancadas em favor do governo, Dirceu considerou o fato como normal. Ele entregou aos jornalistas, durante a entrevista, um estudo para mostrar que não haveria relação entre as votações em plenário e a suposta distribuição de recursos a deputados. Quanto as suas ligações com líderes de partidos da base aliada, o deputado afirmou ser essa a sua função:

- Eu recebia todos os líderes, de todos os partidos, inclusive da oposição, porque isso é o papel do articulador político.

"Julgamento sem provas"

José Dirceu encerrou sua introdução à entrevista, pouco antes de abrir espaço para as perguntas dos jornalistas com a afirmação de que não aceita "julgamento sem provas".

- Não se pode julgar ninguém sem provas, isso é uma conquista da civilização - disse.

Ele reiterou o discurso de que o seu processo de cassação não é fruto do "mensalão", mas sim de um "julgamento político" por ele ser um deputado de esquerda e com uma história política de 40 anos.

- Com o tempo, o país vai perceber a quem interessa essa tentativa de me retirar da vida pública - disse.

Questionado sobre seu futuro político caso seja cassado, José Dirceu di

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