De mãos dadas
Ex-ministro e deputado cassado, José Dirceu (PT-SP) participou este domingo, ao lado do líder do MST no Pontal do Paranapanema José Rainha, da 1ª Festa do Lavrador, organizada pelos sem-terra e pela CUT. Até aí, nada demais.
Dirceu, que teve os direitos políticos suspensos, pediu votos pela reeleição do presidente Lula. Também esteve no ato o ex-presidente do PT José Genoino, candidato a deputado federal. Segundo pesquisas de opinião em São Paulo, a eleição de Genoino é considerada certa, com mais de 120 mil votos.
Roubo do século
Em depoimento de nove dias - o maior já registrado pela Justiça brasileira - o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, preso em maio e apontado como o principal operador da máfia das ambulâncias, disse que mais de cem parlamentares receberam - direta ou indiretamente - propina em dinheiro ou benefícios diversos. Nunca, em toda a história republicana do Brasil, houve tantos parlamentares envolvidos em uma investigação. Entre deputados e senadores, quase um sexto do Congresso, cerca de 100 parlamentares estão sendo são investigados pela Polícia Federal, na Operação Sanguessuga.
O número certo de envolvidos somente será conhecido após a conclusão dos inquéritos em curso e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que analisam as evidências apresentadas pelo empresário Luiz Antônio, principal operador do esquema. Ele e o pai, Darci Vedoin, operavam dezenas de empresas que participavam de licitações fraudulentas para vender ambulâncias a municípios e organizações não-governamentais de todo o Brasil.
Sob o manto da delação premiada, Vedoin prestou um depoimento de nove dias à Justiça e revelou com detalhes como e onde a quadrilha operava. Das 27 unidades da federação, o esquema só não atuou no Distrito Federal e no Amazonas. Em 25 estados, as empresas da familia Vedoin comandaram licitações para venda de ambulâncias e equipamentos hospitalares. No depoimento à Justiça, Luiz Antônio Vedoin afirmou ter agido em 502 dos 5.565 municípios brasileiros: o que corresponde a 9,02% do país.
Nem nos tempos da República Velha, quando a elite roubava tudo o que podia carregar dos paupérrimos brasileiros, jamais surgiu tamanha quadrilha para assaltar o patrimônio público.