O governo do Uzbequistão levou nesta quarta-feira diplomatas estrangeiros para a cidade de Andizhan onde, segundo testemunhas, soldados mataram centenas de pessoas a tiros. A missão não viu, contudo, o local do massacre.
Autoridades culparam rebeldes muçulmanos pelas mortes na cidade de Andizhan, no leste do país, mas testemunhas disseram que 500 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas por forças de segurança que abriram fogo contra manifestantes na última sexta-feira.
- Escrevam nos seus artigos que eles não nos levaram para a escola - gritou um diplomata a repórteres em um ônibus que levou os representantes e jornalistas estrangeiros de volta para o aeroporto.
De acordo com os relatos, as mortes aconteceram na frente da Escola 15, na Avenida Cholpon.
- É estranho. Por que eles iriam querer visitar esta escola? - disse uma autoridade uzbeque a outra.
O grupo era formado por diplomatas de países europeus, incluindo Grã-Bretanha, Romênia e República Tcheca, além de China e Coréia do Sul.
A visita de mais de duas horas à cidade no densamente povoado Vale Ferghana foi liderada pelo ministro do Interior, Zakirdzhon Almatov, que repetiu a versão do governo de que rebeldes, e não tropas do país, foram responsáveis pelo massacre.
- Alguns meios de comunicação estão dizendo que o governo uzbeque abriu fogo contra manifestantes pacíficos. Mas onde você vê manifestantes pacíficos? Como você se atreve a dizer que eram civis pacíficos - gritou Almatov para repórteres.
O governo afirma que foram mortas 169 pessoas, a maioria "bandidos" que mataram civis e soldados. Um partido de oposição disse que compilou uma lista com 745 mortos.
As mortes provocaram críticas internacionais ao governo uzbeque, que vem sendo aliado dos Estados Unidos na guerra ao terrorismo e permitiu que Washington usasse uma base aérea para viagens ao Afeganistão, vizinho do país.
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, declarou nesta terça-feira que o Uzbequistão tem o direito de combater o terrorismo, mas afirmou que Washington pressionou o presidente Islam Karimov a melhorar seu desempenho nos direitos humanos e a investigar os eventos em Andizhan.
- Esperamos que o governo do Uzbequistão seja muito aberto sobre o que aconteceu ali - disse Rice a repórteres.