Ao mesmo tempo em que missionários e membros de organizações humanitárias se apressavam para deixar o Haiti na sexta-feira, líderes da oposição se preparavam para o primeiro encontro com diplomatas norte-americanos e canadenses, entre outros, para negociar um meio de reduzir a tensão política e a violência no país.
Alguns líderes da oposição advertiram que não aceitariam nenhum plano de paz que não incluísse a renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide, numa indicação de que o impasse político deve continuar.
O governo dos Estados Unidos aconselhou na quinta-feira os cidadãos norte-americanos a deixarem o Haiti.
Na sexta, o aeroporto da capital ficou lotado de missionários e integrantes de ONGs em busca de vôos para sair do país, sacudido por uma série de conflitos armados há duas semanas.
As tensões políticas haitianas atingiram o ápice quando um grupo armado tomou o controle da cidade de Gonaives. A revolta se espalhou para várias cidades no norte do país e no planalto central.
Partidários do governo e a polícia resistem, e há execuções de supostos simpatizantes dos rebeldes. A situação política vinha se deteriorando desde 2000, quando as eleições parlamentares foram consideradas fraudulentas.
Aristide, o primeiro presidente democraticamente eleito depois de décadas de ditadura, foi reeleito naquele ano. Hoje ele enfrenta acusações de corrupção e violência política.
A Plataforma Democrática, grupo que se opõe a Aristide, tinha encontros nesta sexta-feira com diplomatas de EUA, Canadá, França, OEA (Organização dos Estados Americanos) e Comunidade Caribenha (Caricom) para preparar as bases das negociações com uma missão de paz no sábado.
A proposta da delegação internacional aparentemente se baseia num acordo recente intermediado pela Caricom, que pede a instituição de um conselho abrangente e de um novo primeiro-ministro, além do desarmamento dos grupos armados aliados ao partido de Aristide.
``Espero que eles não estejam voltando com a mesma posição'', disse Charles Baker, um importante industrial que se opõe fortemente a Aristide. ``Vamos estar todos perdendo tempo'', disse Baker.
Os confrontos armados ainda não atingiram a capital, Porto Príncipe, mas à noite podem-se ouvir tiros na cidade, que se divide entre mansões e favelas.
O Pentágono estava enviando uma equipe de assessores militares para checar a segurança em sua embaixada.