Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira que o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, vai participar de uma reunião com o principal negociador do programa nuclear do Irã, Saeed Jalili.
O encontro para discutir o programa nuclear iraniano está marcado para sábado, em Genebra, na Suíça, e também terá a participação do alto representante da União Européia para Política Externa, Javier Solana.
Segundo o correspondente da BBC em Washington Jonathan Beale, o envio de um alto funcionário do governo ao encontro representa uma significativa mudança de postura por parte dos Estados Unidos.
Beale afirma que, até então, o governo norte-americano se recusava a participar de qualquer negociação direta com representantes do Irã até que o país suspendesse seu programa nuclear.
Segundo o Departamento de Estado, Burns, que é o terceiro principal diplomata norte-americano, vai à reunião para "ouvir" e não deverá participar de negociações com Jalili separadamente.
O governo norte-americano disse que a presença de Burns no encontro tem o objetivo de demonstrar a união dos países ocidentais e "reiterar que os termos da negociação permanecem os mesmos". Ou seja, que o Irã deve primeiro interromper seu programa de enriquecimento de urânio para que novas negociações possam ser realizadas.
Contatos formais entre os Estados Unidos e o Irã são raros. Desde a Revolução Islâmica no Irã, em 1979, e da crise dos reféns na embaixada norte-americana em Teerã os dois países não têm relações diplomáticas.
Pressão internacional
Durante a reunião, o representante iraniano deverá apresentar uma resposta à proposta de um pacote de incentivos econômicos para que o Irã interrompa seu programa de enriquecimento de urânio.
A proposta foi apresentada ao Irã no mês passado por Solana, em nome dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e da Alemanha.
O pacote inclui uma série de medidas para ajudar o Irã a desenvolver um programa nuclear civil.
O Irã vem se recusando a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, apesar da pressão internacional.
Os Estados Unidos e outros países do Ocidente temem que o Irã, sigilosamente, tente desenvolver uma bomba nuclear, e por isso exigem o fim do programa iraniano.
No entanto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, diz que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e é um direito do povo iraniano.
Em março, a ONU aprovou um terceiro pacote de sanções contra o Irã devido à recusa do país em suspender suas atividades de enriquecimento de urânio. Em meio à tensão, Israel realizou recentemente exercícios militares no que foi considerado pelo Irã como um ensaio para um possível ataque contra suas instalações nucleares.
O governo da república islâmica reagiu, testando mísseis de longo alcance com capacidade de atingir Israel.
Diplomata dos EUA vai se reunir com negociador do Irã
Quarta, 16 de Julho de 2008 às 06:48, por: CdB