Os bancos correm risco de se viciarem nos recursos baratos e abundantes dos bancos centrais, disse nesta sexta-feira o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, destacando que esse dinheiro será retirados quando a situação normalizar. Trichet ainda alertou os bancos de que os contribuintes não tolerarão que o setor financeiro volte aos grandes riscos e pagamentos de bônus depois de um generoso apoio público para ajudar o setor durante a crise financeira.
– Tratamentos de emergência e remédios fortes são necessários algumas vezes. Mas se o uso é prolongado, eles podem levar à dependência ou mesmo vício. Uma hora, a administração de analgésicos deve ser interrompida se os pacientes voltarem a caminhar com seus próprios pés – disse.
Trichet não deu mais informações sobre como o BCE irá anular gradualmente as medidas de estímulo. As autoridades monetárias do BCE se encontraram na quinta-feira para discussões antes da reunião de 3 de dezembro. Ele afirmou ainda que apesar dos desenvolvimentos "benignos" no setor financeiro, é muito cedo para declarar o fim da crise.
Novos riscos
Para um dos principais analistas da cena financeira mundial, a economia como um todo está caminhando na direção de uma recuperação sustentável, mas dados os riscos de uma nova desaceleração, ainda é cedo para retirar os estímulos econômicos. Segundo afirmou a segunda maior autoridade do Fundo Monetário Internacional, John Lipsky, o mundo segue "rumo ao crescimento sustentável, mas essa recuperação será relativamente moderada e relativamente lenta".
Ainda segundo o subdiretor-gerente do FMI, "ao mesmo tempo, você não pode descartar os riscos de uma nova estagnação". Preocupações sobre o futuro da economia mundial tem deixado o mercado global em alerta nos últimos dias, em meio ao crescimento das taxas de desemprego nos Estados Unidos e de especulações de que algumas economias europeias poderiam mergulhar em recessão mais profunda em 2010.
O Fundo vem instando países a não flexibilizar suas políticas monetárias para implementar o que se convencionou chamar de estratégia de saída. Lipsky afirmou que, embora fosse o momento de pensar sobre a suspensão de estímulos à economia, nenhuma ação deveria ser tomada ainda e que os governos deveriam instituir estímulos adicionais já planejados para 2010.
Sobre a moeda norte-americana, disse:
– O dólar está um pouco na parte forte, mas não tanto como deveria estar – concluiu.