A ampla vantagem de Barack Obama sobre Hillary Clinton foi suprimida. Neste momento das eleições ambos os democratas estão atrás do republicano John McCain, segundo levantamento da agência inglesa de notícias Reuters divulgado nesta quarta-feira, e a diferença entre os dois diminuiu.
Obama ainda aparece ligeiramente à frente, 47% a 44%, sobre a senadora. Enquanto em fevereiro, o senador tinha 14 pontos percentuais de vantagem sobre a rival.
O levantamento mostra que McCain assumiu a liderança quando a pesquisa simulou uma disputa entre ele e Obama. Neste cenário, o republicano fica na frente, com 46% a 40%. Em fevereiro, Obama estava à frente de McCain por 47% a 40%. McCain se beneficia da prolongada disputa pela indicação democrata, que terá seu próximo round no dia 22 de abril na Pensilvânia e dispara nas pesquisas.
- As última duas semanas tiveram um impacto negativo para Obama e, nas eleições gerais, para os dois democratas - disse o especialista em pesquisas de opinião John Zogby.
A diferença entre McCain e Hillary, no entanto, diminuiu; caiu de 50% a 38% em fevereiro para 48% a 40% em março.
- Não me surpreende que McCain esteja no topo, porque há desordem e confusão no lado democrata - disse Zogby.
A vitória de Hillary na eleição primária de Ohio foi um dos aspectos que fez o resultado mudar e favorecer a senadora, segundo Zogby. A polêmica em torno do pastor Wright também contribuiu.
- E quanto mais perto ele fica da indicação, mais duras são as perguntas que os brancos fazem sobre um candidato afro-americano - disse Zogby.
A pesquisa foi feita nos dias 13 e 14 de março e ouviu 525 prováveis eleitores democratas para a simulação entre Hillary e Obama. A margem de erro é de 4,4 pontos percentuais para mais ou para menos.
Para a simulação entre McCain e os democratas, foram ouvidos 1.004 prováveis eleitores, com margem de erro de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Discurso
Em discurso nesta terça-feira, o senador Obama afirmou que a questão racial é um tema que o país não pode se dar ao direito de ignorar neste momento. Obama fez a afirmação ao comentar declarações do pastor Jeremiah Wright, da igreja freqüentada pelo pré-candidato em Chicago, cidade onde vive.
Durante sermões que foram parar na internet, Jeremiah Wright fez afirmações carregadas de temática racial que foram consideradas inflamatórias.
Segundo Obama, as frases de Wright ofenderam igualmente a brancos e negros, mas a questão racial não pode ser ignorada porque, dessa forma, os americanos estariam cometendo o mesmo erro que o reverendo Wright cometeu: simplificar, estereotipar e ampliar o que é negativo até o ponto em que a realidade fica distorcida.
Obama vinha procurando se distanciar da questão racial por avaliar que enfatizar o tema poderia estigmatizar a sua candidatura e causar mais danos do que benefícios. Mas, após os eventos das últimas semanas e da tensão gerada pelas observações de Jeremiah Wright, o próprio Obama tomou a iniciativa de abordar o tema.
Lewinsky
Em um dos comentários, Wright disse que foi a política externa norte-americana que fez com que os ataques de 11 de setembro de 2001 fossem lançados contra o país. Em outro, o pastor afirmou que os negros deveriam cantar "Deus Amaldiçoe a América, em vez de Deus Abençoe a América" (título de uma música patriótica do início do século 20), devido aos preconceitos sofridos pelos afro-americanos.
Wright também declarou que, ao contrário da rival de Obama na disputa da candidatura democrata, a senadora Hillary Clinton, Obama não é rico e privilegiado, daí as restrições que algu