Dilma tende a acalmar base aliada para manter o foco no combate à crise capitalista
A presidenta Dilma Rousseff foi aconselhada por seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a estabilizar o relacionamento com a base aliada, revolto após uma série de denúncias de corrupção e a demissão de quadros de partidos da base de apoio ao governo no Congresso.
A presidenta Dilma Rousseff foi aconselhada por seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, a estabilizar o relacionamento com a base aliada, revolto após uma série de denúncias de corrupção e a demissão de quadros de partidos da base de apoio ao governo no Congresso. Dilma e Lula tiveram uma longa conversa, nesta capital, antes de um compromisso público da presidenta. Ela também demonstrou sua preocupação com a crise no relacionamento entre o PT e o PMDB.
O ex-presidente teria aconselhado a sucessora a não tensionar ainda mais a situação, para evitar que o PMDB, o mais importante aliado do Planalto depois do PT, se voltasse contra o governo. Ainda na manhã desta quinta-feira, alguns parlamentares se mantinham dispostos a manter paralisadas as votações no Congresso, em um movimento iniciado, na véspera, contra o que alguns consideram como "descaso do governo com os aliados". Lula aconselhou Dilma a promover mais reuniões com deputados e senadores, conversar mais com os parlamentares e fortalecer a coalizão que sustenta, politicamente, o governo. Lula, segundo apurou o Correio do Brasil, também apontou a existência de um "clima de guerra" na base aliada, com a troca de farpas entre partidos da base de apoio e a circulação de uma série de dossiês com denúncias de corrupção.
Logo após a ação da Polícia Federal no Ministério do Turismo, com a prisão de 38 funcionários públicos, muitos deles ligados ao PMDB, a legenda chegou a ameaçar o rompimento com o governo caso ficasse comprovada uma possível devassa na sede da agremiação, no âmbito da Operação Voucher. Dilma chamou ao Palácio do Planalto do ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardoso, para explicações sobre os rumos da investigação e este também cobrou um relatório da Polícia Federal, "em caráter de urgência", sobre o uso de algemas nas ordens de prisão. Na sequência, o vice-presidente Michel Temer, que comanda um amplo setor do PMDB, entrou em cena para conter a crise interna.
Tom mais brando
Logo após a conversa com Lula, Dilma seguiu para o encontro com empresários e adotou um tom mais brando no discurso. Preferindo o viés econômico ao poítico, ela garantiu que o governo não adotará um posicionamento "recessivo" diante da atual crise econômica mundial. Em discurso no encontro nacional da indústria de construção em São Paulo, a presidenta voltou a afirmar que o Brasil está mais forte atualmente do que durante a crise financeira global de 2008 e garantiu que o país não sofrerá uma recessão.
– Quando digo em nome do governo brasileiro que nós não entraremos em recessão, não digo como uma bravata. Hoje nós temos mais força para reagir porque já demonstramos para nós mesmos, porque fomos os últimos a entrar e os primeiros a sair (da crise de 2008) – disse a presidente a uma plateia formada por empresários do setor.
Desde o início desta semana, quando os mercados financeiros foram impactados pelo rebaixamento da nota da dívida norte-americana pela agência Standard & Poor's, Dilma tem assegurado reiteradamente que o país está em boas condições para enfrentar esse momento turbulento. A presidenta citou novamente como exemplo da boa posição do país a situação sólida em que estão as reservas internacionais e o grande montante que o governo tem atualmente em depósitos compulsórios.
Segundo Dilma, - tudo indica que por falta de liderança política e falta de clareza de medidas as turbulências geradas pela crise atual devem "durar um pouco mais" do que na crise de 2008. A mandatária reiterou as críticas feitas aos países desenvolvidos pela adoção de medidas que, segundo ela, geraram fluxo imenso de dinheiro, o que afetou as economias de países que nada tinham a ver com a crise, como o Brasil.
A presidenta, no entanto, garantiu que o país - tem e vai ter uma trajetória sistemática de crescimento econômico e que o nosso país sairá dessa melhor do que entrou.
Dilma falou também do programa de política industrial Brasil Maior que, de acordo com ela, foi "um primeiro passo" para ajudar alguns setores a lidar com a crise. A presidenta pediu aos setores da economia que não forem contemplados nessa primeira fase do projeto que trabalhem em diagnósticos e os levem ao governo federal para eventual adoção de medidas para o fortalecimento dessas áreas.
Sem bravatas
Ao discursar para uma plateia de empresários Dilma garantiu que "não é bravata" quando o governo diz que o Brasil não entrará em recessão por causa da crise financeira internacional. Dilma assegurou que o país tem mecanismos ainda não utilizados para evitar que as turbulências internacionais atinjam a economia.
– Quando eu digo que não entraremos em recessão, não é uma bravata. Temos condições de reagir. Só seremos presas fáceis se não reagimos – disse a presidenta ao participar, em São Paulo, da abertura do 83° Encontro Nacional da Indústria da Construção.
Dilma enfatizou que o governo vai continuar olhando a crise mais como uma "oportunidade".
– Momentos de crise são momentos de oportunidades, quando somos capazes de enfrentar a crise. Esta crise é criada em outros países. É uma crise financeira da qual o Brasil não tem responsabilidade alguma – disse a presidenta.
Ela também citou as reservas internacionais como um dos recursos do qual o Brasil poderá lançar mão. As reservas somam atualmente quase US$ 350 bilhões. Em 2008, o montante chegava a US$ 210 bilhões.
Dilma Rousseff lembrou que a primeira fase do Programa Minha Casa, Minha Vida foi lançada após o estouro da crise internacional, em 2008, e elogiou a parceria que os empresários fizeram com o governo naquele momento. De acordo com a presidenta, o programa foi fundamental para gerar emprego e assegurar renda.
– Muitos olharam incrédulos para nós – concluiu.
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