A presidenta Dilma Rousseff ao suspender a distribuição de kits anti-homofobia pelo Ministério da Educação está correta. Ela quer mais consultas e mais consenso sobre o assunto. Ouvir a sociedade civil é importante. É a base da construção de um governo sólido e de instituições maduras.
Por outro lado, não podemos aceitar a postura de grupos evangélicos e católicos, que pressionam o governo, a partir do Congresso, com exigências como a demissão do ministro da Educação, Fernando Haddad e uma CPI para a sua pasta.
Esta semana um grupo de parlamentares chegou mesmo a ameaçar o governo com obstrução da pauta no Congresso, e a colaborar com assinaturas para convocar o ministro-chefe da Casa Civil Antonio Palocci, caso o governo não suspendesse a produção e distribuição do kit anti-homofobia em planejamento no Ministério da Educação (MEC).
Material não oficial
De fato, segundo afirmou o ministro secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a chefe do governo considerou o material do MEC "inadequado" e o vídeo "impróprio para seu objetivo". Mas estão longe de, como afirmam alguns deputados, serem “um estímulo ao homossexualismo". O material que teria chegado às mãos dessas lideranças – e que teria causado a reação desmedida – não era oficial.
O MEC sempre negou que o kit e os vídeos que vazaram na internet voltados ao combate da homofobia tenham sido aprovados. Produzidos por ONGs que prestam serviços à pasta, eles ainda estavam em avaliação. E, segundo representantes do ministério, caso fossem aprovados para serem distribuídos às escolas, só o seriam para aquelas que lidam com o grave problema do bulling, que tem assolado colégios em todo o país.
Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026
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