Vamos aproveitar bem as festas de Natal e Ano Novo porque 2015 vai ser economicamente difícil e ainda pior politicamente.
Por Rui Martins - Os choques vão começar com a tentativa de se colocar em questão a eleição da presidenta Dilma pela não aprovação das contas de sua campanha eleitoral. Uma rejeição dessas contas, que envolvem um total de 318 milhões de reais, poderá complicar a diplomação de Dilma, marcada para o dia 18.
O primeiro round será hoje à noite, no Supremo Tribunal Eleitoral, presidido logo por quem ? Pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Para o ministro Gilmar Mendes é provavelmente hoje o dia da revanche
Vamos aproveitar bem as festas de Natal e Ano Novo porque 2015 vai ser economicamente difícil e ainda pior politicamente.
E os choques vão começar com a tentativa de se colocar em questão a eleição da presidenta Dilma pela não aprovação das contas de sua campanha eleitoral. Uma rejeição dessas contas, que envolvem um total de 318 milhões de reais, poderá complicar a diplomação de Dilma, marcada para o dia 18.
O primeiro round será hoje à noite, no Tribunal Superior Eleitoral, presidido logo por quem ? Pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
O PT aposta numa aprovação, apesar da tensão criada nestes últimos dias, mas os assessores de Gilmar sugerem a rejeição. Escrevendo algumas horas antes da decisão, com o risco de ser desmentido pelos fatos, tenho o pressentimento de que Gilmar, fiel à sua imagem, tentará criar a primeira pedra no sapato de Dilma, votando pela rejeição.
Por que? Por me lembrar da maneira como Gilmar agiu no caso da extradição de Cesare Battisti. Descrevi na época sua atitude de desafio às nossas instituições, ao rejeitar a decisão do então ministro da Justiça, Tarso Genro, que decidira contra a extradição e pela aceitação do antigo militante no Brasil.
Gilmar ignorou completamente a autoridade do ministro e provocou o presidente Lula, obtendo dos demais membros do STF uma decisão favorável à extradição do italiano. Quis ir mais longe, tentando obter dos demais ministros do STF uma decisão, dando a ele e aos ministros togados uma competência superior à do presidente Lula, pela qual o ex-presidente não poderia negar a extradição a Battisti e se submeter à insconstitucional tentativa de Gilmar Mendes.
Essa tentativa de subverter o equilíbrio entre os poderes da República, garantido pela Constituição, não obteve maioria no STF e Lula concedeu asilo a Battisti algumas horas antes de expirar o seu mandato, afirmando sua independência e colocando Gilmar no seu lugar.
Isso não foi suficiente e Gilmar tentou a revanche com o ex-ministro Cezar Peluso. A decisão de Lula em favor de Battisti deveria ter significado a libertação imediata do italiano, preso três anos na penitenciária de Papuda. Ora, Cezar Peluso com o apoio de Gilmar voltou a questionar a decisão presidencial. Só cinco meses depois, o mesmo STF com outros ministros decidiu validar a decisão de Lula negando a extradição do italiano Cesare Battisti.
Gilmar Mendes teve de engolir esse caroço, mas poderá dar hoje seu troco, tentando provocar uma crise institucional como tentara em 2011. As fotos de Gilmar são bastante reveladoras - com seus lábios curvados para baixo, o ministro é o desdém personificado, reforçado por um olhar de prepotência.
Vamos acompanhar a decisão em Brasília.
Rui Martins, jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, é o editor do Direto da Redação.
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