O governo está considerando o investimento no pré-sal estratégico para o país e por este motivo vai manter os planos traçados antes da crise financeira e de o barril de petróleo despencar no mercado internacional.
Segundo a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, os desafios no momento não são os recursos para a exploração, mas sim os esforços para garantir uma indústria de fornecedores que dêem sustentabilidade ao crescimento do setor.
- As quantidades de recursos necessários para o investimento nos poços não são tão grandes, o maior volume de recursos é para garantir que nós tenhamos uma indústria de fornecimento de equipamentos, aí não é só Petrobras - explicou a ministra, após participar de homenagem do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef) à diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria Graça Foster, no Rio de Janeiro.
Sem dar detalhes, Dilma disse que o apoio à indústria de fornecedores do setor de petróleo poderá ser feito "via BNDES e via várias engenharias", mas que "é absolutamente imprescindível que se invista na indústria... para oferecer serviços e equipamentos".
A produção de plataformas em série no Brasil foi anunciada pelo Petrobras como uma solução para baratear a exploração do pré-sal, localizado nas águas ultra-profundas do Espírito Santo a Santa Catarina, cujos estudos iniciais indicam que o Brasil poderá ficar entre os grandes produtores do mundo.
- No nosso horizonte (2010), nós temos certeza que temos condição de tocar, e se puxar mais um ano, ou dois, 2011, 2012, 2013, eu acho impossível que não tenha dinheiro... o que vai importar é quem tem bons projetos, e nós temos um dos melhores projetos (pré-sal) - disse a ministra.
Para Dilma, o pré-sal é como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos investimentos também serão mantidos porque constitui um importante fator anticrise para o Brasil. Segundo a ministra, quando a crise passar, o país estará preparado para retomar o crescimento.
- A decisão de manter os investimentos do PAC e do pré-sal é eminentemente anticíclica, e é mais que isso, estamos possibilitando que com nessa conjuntura de crise o Brasil aproveite oportunidades - disse.
Descoberta
A ministra comemorou a nova descoberta da Petrobras nesta sexta-feira, na bacia de Campos, no litoral do Espírito Santo, lembrando que o petróleo encontrado é de alta qualidade, e que isso significa menor custo para que seja refinado.
- Isso significa que estamos mais uma vez na direção de constituir o pré-sal como uma solução para os próximos anos, para as próximas décadas - disse a ministra.
Também presente no evento, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, disse que a descoberta no Espírito Santo "consolida a região como uma importante área produtora do Brasil".
- Recebemos a notícia com muita satisfação e vai permitir que a gente consolide como produtor no pré-sal - disse o executivo a jornalistas.
- Os poços foram perfurados, avaliados e fizemos uma correlação com o poço Espírito Santo 103 e, constatamos que se trata de uma boa acumulação - acrescentou Estrella.
Segundo a Petrobras, as reservas do campo de Parque das Baleias foram estimadas entre 1,5 e 2 bilhões de barris de óleo equivalente, considerados dentro da expectativa pelo diretor.
Ele garantiu que a programação de investimentos da estatal para o Espírito Santo está mantida, apesar da crise mundial e da queda do barril no mercado internacional.
- Está tudo mantido. Não tem nenhum tipo de mudança - finalizou, reafirmando que em dezembro a Petrobras anunciará o seu plano de negócios para o período 2009-2013 com extensão para 2020.