Dilma: Impeachment é tentativa de eleição indireta
Após se dizer triste e indignada com o resultado, na votação, Dilma — que integrou a luta armada, contra a ditadura militar, foi presa e submetida à violência, no cárcere — afirma que teve seus “sonhos torturados”
Após se dizer triste e indignada com o resultado, na votação, Dilma — que integrou a luta armada, contra a ditadura militar, foi presa e submetida à violência, no cárcere — afirma que teve seus “sonhos torturados”
Por Redação - de Brasília
Em pronunciamento na tarde desta segunda-feira, a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, comentou a abertura do processo de impeachment contra seu mandato. A entrevista teve início as 17h.
Dilma diz que teve seus sonhos torturados
Foi a primeira aparição pública da presidenta após o plenário da Câmara ter aprovado, neste domingo, a sequencia do processo para o Senado.
Dilma disse que viu todas as declarações dos deputados e que nenhum deles o acusou de crime de responsabilidade.
– Não vi uma discussão sobre o crime de responsabilidade, a única maneira de se julgar um presidente da República no Brasil, isso porque a Constituição assim o prevê. Ela prevê que é possível, e está escrito, mas a Constituição estipula que é necessário a existência do crime de responsabilidade para que um presidente possa ser afastado do cargo. Isso depois de receber os votos majoritários da população. Recebi 54 milhões de votos e me sinto indignada – afirmou.
A presidenta falou que tem certeza de que os deputados sabem que ela não cometeu crime de responsabilidade.
– Além disso não há contra mim nenhuma acusação de desvio de dinheiro público, enriquecimento ilícito, não fui acusado de ter contas no exterior – disse.
A presidenta afirmou que não vai desistir de lutar em nenhum momento e que não está em questão o seu mandato, e sim a democracia.
– Estou tendo meus direitos torturados, mas não vão matar a esperança, porque eu sei que a democracia é sempre o lado certo da história. E isso quem me ensinou foi a historia de meus país. Foram dezenas, centenas, milhares de pessoas que ao longo de minha vida lutaram pela democracia – acrescentou.
Dilma: 'Consciência tranquila'
Dilma redigiu, de próprio punho — segundo sua assessoria — o discurso que, em seguida, submeteu aos servidores mais próximos. Na sua fala, Dilma disse que a atitude do vice-presidente, Michel Temer, foi algo “estarrecedor”, referindo-se à traição demonstrada nos últimos dias.
— Em nenhuma democracia do mundo, uma pessoa que fizesse isso seria respeitada. A sociedade humana não gosta de traidor — afirmou.
A presidenta acrescentou que “o mundo e a História nos observam”, ao comentar o espetáculo dantesco apresentado, durante a votação em Plenário, noite passada, por parlamentares de todo o país.
— Tenho força, ânimo e coragem. Não vou me abater e vou lutar, como fiz ao longo de toda a minha vida — garantiu a presidenta, com a voz embargada em alguns momentos.
Após se dizer triste e indignada com o resultado, na votação, Dilma — que integrou a luta armada, contra a ditadura militar, foi presa e submetida à violência, no cárcere — afirma que teve seus “sonhos torturados”.
— Não vão matar em mim a esperança. A democracia é sempre o lado certo da historia — concluiu.
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